quinta-feira, 2 de julho de 2026

2026 | O Cavaleiro Inglês

 










Vamos falar a verdade: se não fosse pelo talento, pela liderança, pela presença em campo e pelo faro de gol de Harry Kane, o maior jogador inglês das últimas décadas, Thomas Tuchel seria massacrado pela imprensa e pela opinião pública inglesa. E, na minha opinião, com muita razão, principalmente pela decisão de deixar Palmer, Foden e Alexander-Arnold fora da Copa.

Foi uma virada épica, após 25 minutos iniciais desastrosos. A República Democrática do Congo poderia facilmente ter aberto dois ou até três gols de vantagem. Mais tarde, ainda no primeiro tempo, acertou uma bola na trave e continuou a assustar a defesa inglesa. Depois da parada para hidratação, a Inglaterra respirou, melhorou um pouco e passou a criar boas oportunidades. Em uma delas, Rashford, cuja presença venho defendendo desde o início da Copa, desperdiçou um gol sem goleiro após uma bela jogada do criticado Madueke, que, apesar das críticas, fez uma boa partida.

Mas uma pergunta continua difícil de responder: por que Saka é titular absoluto e Madueke, seu reserva no Arsenal, enquanto na seleção acontece justamente o contrário? Mais uma das polêmicas decisões de Thomas Tuchel.

 



 










O segundo tempo teve um dono: Harry Kane. O craque da Inglaterra, o maior jogador do English Team desde os anos 90, de Paul Gascoigne e Gary Lineker. Kane é decisivo, tem sangue quente, personalidade enorme e um poder de finalização impressionante. Assumiu a responsabilidade durante toda a partida. Que atuação épica do Hurrikane — já merece ser tratado como "Sir" por tudo o que fez. No primeiro gol, deu uma verdadeira aula de cabeceio para empatar um jogo complicadíssimo. No segundo, acertou um petardo, sem qualquer chance para o goleiro congolês.

 



 









Mas também precisamos falar de Declan Rice e Jude Bellingham. Não dá para colocar toda a responsabilidade e toda a esperança de vitória nos pés de Harry Kane, como vem acontecendo desde o início da Copa.

Onde está o Declan Rice do Arsenal? Aquele que organiza o time, controla o meio-campo e dita o ritmo da partida? Já passou da hora de ele aparecer nesta Copa.

Bellingham foi bem nos primeiros jogos, mas ainda não teve uma atuação realmente brilhante. Espera-se muito mais do craque do Real Madrid. Aliás, talvez ele ainda não tenha se tornado o jogador dominante que muitos imaginavam. Seja como for, precisa entregar mais.

E Saka precisa ser titular, independentemente de sua condição física. Ele entra e o time simplesmente melhora. Sr. Thomas Tuchel deve estar com o travesseiro quente todas as noites, pensando em Palmer e Foden. Sim, os dois atravessam uma fase menos inspirada e não estão na melhor condição física, mas Copa do Mundo é um torneio de tiro curto. Em jogos como o de hoje, fazem muita falta jogadores capazes de decidir uma partida em um único lance, com um drible, um passe ou um chute improvável.

 



 











Agora vem o México. Uma seleção forte, que joga em casa, empurrada por um Azteca santificado. Um adversário duríssimo e, provavelmente, o maior teste da Inglaterra até aqui. Harry Kane já vestiu a armadura, mas Tuchel vai precisar de mais do que um cavaleiro para sobreviver à próxima batalha.


Promessa de jogaço.


Come on, England.

 

 

 

João Ferreira (Djandjas)

imigrante em Dublin e amante do futebol raiz, desde a Copa de 1986

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