O primeiro tempo foi uma superprodução americana.
Marcando em cima, os Estados Unidos aceleraram pelos lados e transformaram cada
chegada em uma cena de ação bem ensaiada, no melhor estilo blockbuster. Para o
Paraguai, porém, o roteiro foi de terror: sem saída de bola, uma defesa
espaçada e muita dificuldade na marcação. O time da casa fez o que quis e,
antes do intervalo, já havia garantido o final feliz.
No primeiro gol, Pulisic invadiu a defesa paraguaia
sem pedir licença, atraiu a marcação e tocou para McKennie. O volante tentou
servir Balogun, mas Bobadilla interceptou mal e acabou errando justamente na
cena do crime: o primeiro gol contra da Copa. O segundo veio logo depois de um
gol anulado por impedimento, em mais uma jogada do camisa 10, craque do Milan,
que encontrou Balogun para um tiro certeiro. Nos acréscimos da etapa inicial,
Tillman achou outra brecha na zaga paraguaia e enfiou para o camisa 20, que
dominou com calma, ganhou de Alderete, cortou Gómez e bateu na gaveta de Gill.
No segundo tempo, o jogo perdeu um pouco o ritmo,
mas não o controle. O Paraguai tentou sair do papel de vítima e diminuiu a
sensação de passeio com o palmeirense Maurício, em belo chute cruzado.
Entretanto, os Estados Unidos souberam administrar a vantagem sem transformar a
partida em drama. E, ao apagar das luzes, o jovem Reyna apareceu como se
debochasse do adversário: deu de três dedos e enquadrou o quarto da goleada.
No fim, a estreia norte-americana teve tudo o que
Los Angeles gosta: brilho de première, um roteiro bem escrito, uma atuação
convincente e um protagonista pronto para roubar a cena. Balogun saiu do
primeiro capítulo da Copa como artilheiro, e os Estados Unidos deixaram claro
que, em casa, não serão figurantes.
Marcelo Martensen (MILAN)
Publicitário, criador do De Letra na Copa
Para ler o texto sobre a abertura da Copa, "O Santuário da Copa", clique aqui



