O Canto do Sankofa
— "Boa noite, meu povo! O quê ééé, eeu
cheguei! Mais uma vez, apresentar meu patuá. Eu vou cantar, eu vou cantar com
muita alééégria. Apresentar esses meninos de Mandinga".
A torcida era energia pura, danças e tambores
vibrantes, cores e cantos em euforia, carregando o orgulho de uma nação, com a
tradição de estar onde a seleção ganesa estiver. E eles vivenciaram o maior
drama da sua pregressa história.
O ano era 2010, e eles estavam na África do Sul. A
expectativa por bons resultados era altíssima, mesmo sendo apenas sua segunda
participação. Ainda que gozando de muita juventude, o time possuía uma
maturidade precoce. A autoestima despojada da torcida vinha da boa campanha na
Copa Africana (vice-campeões). O time, liderado por Asamoah Gyan, carregava o
sonho de uma África gloriosa. Fato era, num time com força, com raça e com
gana, a confiança era natural.
Fazia um belo dia em Joanesburgo. O público chegava
antes da hora marcada para tomar o seu lugar. Alegria se fazia presente em
todos os cantos do estádio Soccer City. Ninguém, nem mesmo o mais letárgico
torcedor, acreditaria no que aconteceria bem diante de todos. O jogo em si foi
tenso e equilibrado: Uruguai 1, Gana também — empate. Na prorrogação, o
extraordinário apareceria em campo. A emoção havia ficado para o tempo extra.
Gana estava mais forte fisicamente e tinha as
melhores chances. Porém, no minuto final, um lance mudou a história do futebol
africano. Bola levanta na área do Uruguai, bate-rebate e a cabeçada de Dominic
Adiyiah tinha endereço certo. O atacante Luis Suárez, sórdido, bloqueia a
trajetória da bola com as mãos: pênalti e expulsão. Bola na cal, Gyan corre em
direção à bola, bate forte e ela explode no travessão. O silêncio apreensivo da
torcida prenunciava o fim. Gana acabou eliminada.
Não houve culpados pela derrota, os ganeses têm uma
particularidade: elementos e saberes míticos que os unem — e, curiosamente,
unem o Brasil à Gana. Adinkras (ideogramas) são encontrados tanto lá quanto cá.
Um adinkra chamado Sankofa está presente em portões e outras serralherias,
principalmente em Salvador. O adinkra em forma de ave ou coração
significa "olhar para trás para buscar sabedoria e aprender com os
ensinamentos do passado, enquanto avançamos para o futuro".
Gana chega à Copa do Mundo de 2026 com um time mais
calejado do que as Copas passadas, trazendo os aprendizados que o Sankofa não
deixa esquecer. Os jogadores ganeses e a nação, como torcida, sabem que a união
é a melhor forma de resistência para chegar mais longe. Que a bola leve Gana
ainda mais longe, na Copa das simbologias.
Créditos Sinceros
• O trecho da canção foi adaptado e é somente ilustrativo para a torcida de Gana.
• “Baianá" (do grupo Barbatuques) é uma
adaptação da canção folclórica "Boa Tarde, Povo!", composta
originalmente pela Mestra Maria do Carmo Barbosa e Melo, do grupo Baianas
Mensageiras de Santa Luzia, de Alagoas.
ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)
HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)
Marcos
Alencar (FETU)
Publicitário,
solidário e cinquentenário
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