A Maré Vermelha do Canal
No futebol, o Panamá ainda é tratado como uma
seleção em ascensão. Quando o assunto é torcida, porém, já pode ser colocado
entre os grandes personagens do jogo. Os panamenhos celebram cada conquista da
seleção como se estivessem vivendo algo maior do que o placar. É uma torcida
que transforma arquibancada em festa e faz do Panamá uma daquelas seleções
capazes de ganhar simpatia mesmo antes de ganhar o jogo.
A estreia em Copas demorou: aconteceu apenas na
Rússia, em 2018. O Panamá caiu no Grupo G, ao lado de Bélgica, Inglaterra e
Tunísia, seleções muito mais acostumadas ao peso de um Mundial. O novato acabou
derrotado por 3 a 0 pela Bélgica, sofreu um duro 6 a 1 contra a Inglaterra e
fechou sua participação com uma derrota por 2 a 1 diante da Tunísia.
Três jogos, três derrotas e a eliminação na
primeira fase. Fracasso? Vergonha? Não para a torcida panamenha. Para eles,
estar ali já era a realização de um sonho nacional. Mesmo goleado pelos
ingleses, o Panamá comemorou de forma efusiva seu primeiro gol em Copas do
Mundo, como se aquele instante bastasse para justificar toda a viagem — gol do
zagueiro Felipe Baloy.
Agora, em 2026, o Panamá volta ao maior palco do
futebol. Uma nova Marea Roja entrará em campo, carregando
perguntas que só a bola poderá responder. Virá a primeira vitória em Copas?
Será possível sonhar com uma classificação inédita? O torneio dirá até onde
essa seleção consegue avançar.
Uma certeza, no entanto, já existe antes mesmo da
estreia: o Panamá terá o apoio incondicional de sua torcida. Enquanto Los
Canaleros estiverem em campo, haverá festa nas arquibancadas, porque
para a Marea Roja a Copa nunca foi apenas sobre vencer. Também
é sobre cantar alto e fazer o mundo lembrar que, no futebol, alguns países
entram pelo placar, enquanto outros entram pela emoção.




