sábado, 13 de junho de 2026

2026 | Balogun & Os Ases Indomáveis











A estreia dos Estados Unidos em sua Copa não poderia ter outro cenário: em Los Angeles, com o tapete vermelho estendido antes mesmo do jogo. No lugar onde o cinema criou mitos, dava para imaginar Leonardo DiCaprio batendo no peito como um mantra de sucesso, George Lucas vendo uma nova esperança vestida de branco e vermelho e Tom Cruise correndo contra o tempo, talvez já acima do limite permitido. Mas quem realmente roubou a noite não veio de Hollywood. Balogun entrou em cena com roteiro próprio, voou baixo sobre a defesa paraguaia, como um piloto de caça, e mirou sem piedade: fez dois gols e terminou a estreia como artilheiro da Copa.

 



 










O primeiro tempo foi uma superprodução americana. Marcando em cima, os Estados Unidos aceleraram pelos lados e transformaram cada chegada em uma cena de ação bem ensaiada, no melhor estilo blockbuster. Para o Paraguai, porém, o roteiro foi de terror: sem saída de bola, uma defesa espaçada e muita dificuldade na marcação. O time da casa fez o que quis e, antes do intervalo, já havia garantido o final feliz.

No primeiro gol, Pulisic invadiu a defesa paraguaia sem pedir licença, atraiu a marcação e tocou para McKennie. O volante tentou servir Balogun, mas Bobadilla interceptou mal e acabou errando justamente na cena do crime: o primeiro gol contra da Copa. O segundo veio logo depois de um gol anulado por impedimento, em mais uma jogada do camisa 10, craque do Milan, que encontrou Balogun para um tiro certeiro. Nos acréscimos da etapa inicial, Tillman achou outra brecha na zaga paraguaia e enfiou para o camisa 20, que dominou com calma, ganhou de Alderete, cortou Gómez e bateu na gaveta de Gill.




 










No segundo tempo, o jogo perdeu um pouco o ritmo, mas não o controle. O Paraguai tentou sair do papel de vítima e diminuiu a sensação de passeio com o palmeirense Maurício, em belo chute cruzado. Entretanto, os Estados Unidos souberam administrar a vantagem sem transformar a partida em drama. E, ao apagar das luzes, o jovem Reyna apareceu como se debochasse do adversário: deu de três dedos e enquadrou o quarto da goleada.

No fim, a estreia norte-americana teve tudo o que Los Angeles gosta: brilho de première, um roteiro bem escrito, uma atuação convincente e um protagonista pronto para roubar a cena. Balogun saiu do primeiro capítulo da Copa como artilheiro, e os Estados Unidos deixaram claro que, em casa, não serão figurantes.










 

 





Marcelo Martensen (MILAN)

Publicitário, criador do De Letra na Copa


Para ler o texto sobre a abertura da Copa, "O Santuário da Copa", clique aqui