terça-feira, 21 de julho de 2026

2026 | Dai Dai jà Vu

 







Em 2010, “Waka Waka” marcou o auge da carreira de Shakira ao se tornar o hino oficial da Copa do Mundo da África do Sul e um dos maiores fenômenos da música pop. Enquanto brilhava nos palcos, sua vida pessoal também mudava: nos bastidores do videoclipe, ela conheceu o jogador espanhol Gerard Piqué e iniciou um romance que redefiniria seu futuro afetivo.

Em 2026, com o sucesso de “Dai Dai”, música oficial da Copa do Mundo, Shakira vive uma fase profissional renovada, impulsionada ainda mais pelo histórico show em Copacabana. Na vida pessoal, porém, o cenário é outro: após superar o doloroso e midiático término com Piqué, em 2022, declara-se solteira, dedicada aos filhos, Milan e Sasha, e apaixonada pela própria carreira.

E o que essas histórias, separadas por 16 anos, têm a ver com a final da Copa? Mudaram os palcos, os amores e as canções, mas uma coisa permaneceu igual: nas duas Copas em que Shakira fez a música oficial, a Espanha terminou campeã.

 



 










O início de jogo já antecipava o roteiro final. Em menos de quatro minutos, Lamine Yamal invadiu duas vezes a área argentina com a bola dominada. Primeiro, tabelou com Dani Olmo e bateu de esquerda, com desvio; depois, cruzou sem força. A Espanha controlava com posse e paciência, mas produzia pouco até os 30 minutos. A Argentina oferecia ainda menos. Messi tentou alcançar um lançamento, cortado por Unai Simón, e a Scaloneta terminou o primeiro tempo sem finalizar — prenúncio dos 90 minutos sem um único chute no alvo.

O intervalo foi, sem dúvida, a melhor parte da decisão. Para desespero da maioria argentina no MetLife Stadium, Ronaldo e Ronaldinho chegaram dirigindo o carro de Madonna e abriram o espetáculo. Depois de Justin Bieber, Ted Lasso e até da banda Electric Mayhem, dos Muppets, um anúncio inesperado de Pelé no telão, dizendo “love”, emocionou o mundo — menos o lado platino do estádio. Mais um golpe nos argentinos presentes.

 



 










Com Otamendi em campo desde o fim da primeira etapa e Paredes acionado no intervalo, a Argentina tentou ganhar fôlego — não conseguiu. Logo nos primeiros segundos, Baena roubou a bola e finalizou, deixando claro que a pressão espanhola continuaria. Scaloni voltou a mexer antes dos dez minutos, mas nada mudou. Dani Olmo exigiu nova defesa de Dibu, enquanto a Espanha atravessava o campo em combinações rápidas. Depois, Yamal cruzou na medida para Ferran Torres, substituto de Oyarzabal, cabecear nas mãos do goleiro argentino.

Aos 29, De la Fuente lançou Nico Williams e Merino. O jogo seguia inclinado para um só lado. A Espanha acumulava 13 finalizações e controle absoluto, mas ainda sem transformar o domínio em chances realmente sufocantes. A Argentina só ameaçou em uma rara sequência de passes, encerrada por um cruzamento fechado de Simeone, bem defendido por Unai Simón. Nos acréscimos, Enzo Fernández deixou o pé em uma dividida forte com Cubarsí, recebeu o segundo amarelo e foi expulso. Antes da prorrogação, Yamal ainda cobrou falta com perigo, mas Dibu espalmou e adiou o desfecho.

 



 










Com um jogador a mais, a Espanha partiu para o golpe final na prorrogação. Nico Williams cabeceou sem força e Dibu salvou quase por instinto. Logo depois, Merino girou na área, Nico aproveitou a sobra e marcou, mas o árbitro viu falta de ataque e anulou. O drama aumentou quando Merino desperdiçou a chance mais limpa da Espanha, após cruzamento perfeito de Nico. Até que, nos primeiros segundos da segunda etapa do tempo extra, o domínio finalmente virou gol. Depois de 105 minutos e 19 finalizações, Lamine Yamal cruzou, Nico ajeitou e Ferran Torres empurrou a Argentina para o vice.

 



 










No fim, com um jogador a menos e perdendo por 1 a 0, a Argentina ainda tentou um último esforço: Giovanni Simeone chutou por cima. Depois do apito final, Paredes revelou o pior lado da derrota e iniciou uma confusão. Com os ânimos já controlados, Cubarsí recebeu o prêmio de melhor jovem, Unai Simón ficou com a Luva de Ouro e Rodri levou a Bola de Ouro. Enquanto isso, Messi, o verdadeiro craque da Copa, chorava de costas para o palco, ao lado dos companheiros, todos voltados para a torcida alviceleste.

E então tudo se completou. Dezesseis anos depois, a Espanha voltou a ser campeã como atual vencedora da Euro, com oito jogadores do Barcelona, no Grupo H, após tropeçar na estreia e eliminar Portugal por 1 a 0 nas oitavas. Outra geração, a mesma história. De la Fuente conduziu uma equipe que jogou como uma família: unida, paciente e fiel à bola até o último passe. Em 2010, Iniesta encerrou a espera; em 2026, Ferran Torres confirmou o déjà-vu.
















E o mundo voltou a ser da Espanha. E da Shakira.


Olé.





 

 

 

 









Marcelo Martensen (MILAN)

Publicitário e criador do De Letra na Copa,

cravou o placar e ganhou o bolão.