Depois de uma estreia avassaladora diante da forte
Croácia, o English Team parou no ferrolho armado por Carlos Queiroz, técnico de
Gana. Queiroz é famoso por seu estilo extremamente defensivo. Seu longo
trabalho à frente do Irã já era um indício da muralha que a Inglaterra
encontraria na tarde desta terça-feira.
Com 78% de posse de bola, a Inglaterra dominou
amplamente a partida, mas não conseguiu transformar esse domínio em muitas
chances claras de gol. Já Gana teve pelo menos duas oportunidades cristalinas e
ainda reclamou de um pênalti não marcado sobre o temido Semenyo, atacante
titular do fortíssimo Manchester City.
Foi um primeiro tempo de muita posse de bola e
pouca efetividade. Mais uma vez, Jude Bellingham teve uma atuação intensa e
impressionante, e ganhou o prêmio de melhor jogador da partida pela FIFA.
Presente em todos os setores do campo, foi o dono do meio-campo durante
praticamente toda a partida.
Kane não estava em seu melhor dia, embora sua
vontade e entrega sejam até emocionantes. Independentemente do resultado final
desta Copa, Harry Kane já escreveu seu nome não apenas na história da seleção
inglesa, mas também no coração dos torcedores, muito por sua dedicação e pelo
amor que demonstra à camisa.
No segundo tempo, a Inglaterra melhorou um pouco.
Com Declan Rice mais preciso nos passes, algumas chances começaram a surgir. Em
uma delas, O'Reilly acertou uma cabeçada no travessão, no rebote, Harry Kane
isolou a bola livre, praticamente dentro da pequena área. Imperdoável.
Inacreditável.
No jogo de hoje, também é preciso registrar que
Tuchel perdeu a oportunidade de contar com três jogadores que, na minha
opinião, são fundamentais para partidas como esta, em que um lampejo técnico
individual pode quebrar linhas e desmontar defesas fechadas: Palmer, Foden e
Alexander-Arnold. Palmer tem o drible, Foden tem a precisão, e Arnold coloca a
bola onde quiser. Certamente Tuchel será criticado pela imprensa e pela opinião
pública inglesa pela ausência dessas estrelas. Hoje, pagou caro por isso. E pode
voltar a pagar em jogos nos quais a Inglaterra não seja atacada e precise
assumir a responsabilidade de propor o jogo.
Ainda acredito que a Inglaterra vá longe nesta Copa
e continuo colocando a seleção entre as favoritas ao título. O English Team
enfrentou duas boas seleções, Croácia e Gana. Dois jogos difíceis, muito
diferentes daqueles disputados por boa parte de seus concorrentes até aqui.
Agora resta esperar para ver como o time de Tuchel
reagirá ao empate de hoje no próximo compromisso, contra o Panamá,
provavelmente já eliminado. Será preciso demonstrar maior efetividade,
criatividade e capacidade de decisão.
Algumas mudanças eu faria imediatamente. Saka como
titular no lugar de Madueke e Rashford no lugar de Gordon pela esquerda. É
necessário colocar mais peso, experiência e poder de decisão no ataque. E
também torcer para que Kane e Rice assumam de vez a responsabilidade nos
momentos decisivos.
João
Ferreira (Djandjas)
imigrante
em Dublin e amante do futebol raiz, desde a Copa de 1986


