sexta-feira, 19 de junho de 2026

2026 | O Tabuleiro de Tuchel

 







No melhor jogo da Copa até aqui, o desfile do time de Tuchel foi salvo por alguns centímetros por parte de Livaković. O goleiro croata se adiantou no pênalti cometido por Modrić, em sua última Copa, e deu a Kane uma segunda chance. O camisa 9 desperdiçou a primeira cobrança, converteu a repetição e mudou a história da partida. A partir daí, vimos uma atuação impressionante do English Team.

Tuchel mostrou logo na estreia que suas escolhas podem ter sido as corretas. Silenciou as cornetas ruidosas de boa parte da imprensa britânica e de torcedores que ainda questionavam a ausência de jogadores antes considerados imprescindíveis, como Maguire, Foden, Palmer e Alexander-Arnold.

 



 









Partidaça de Harry Kane, autor de dois gols, um deles em um belíssimo cabeceio após cobrança de escanteio. Também chamaram a atenção Rice, Anderson e Bellingham, este último surgindo em todos os cantos do gramado. Foi igualmente notável a atuação coletiva do esquadrão inglês.

Pickford não é um dos goleiros mais técnicos, mas tem carisma e, claramente, sabe organizar uma defesa sólida. Os laterais foram participativos, com Reece James e O’Reilly oferecendo presença constante pelos lados do campo. A zaga, formada por Konsa e Stones, passou segurança. O meio-campo inglês é um dos mais fortes da Copa, com os nomes já citados dando um volume de jogo impressionante. No ataque, Kane, Gordon e Madueke mantiveram a Croácia sob pressão. E ainda havia Saka, Rashford e outros grandes nomes no banco.

 



 









O primeiro tempo foi disputadíssimo. Contra uma grande seleção, finalista em 2018 e semifinalista em 2022, a Inglaterra encontrou um confronto duríssimo. Foi um verdadeiro toma lá, dá cá. Um 2 a 2 maravilhoso, daqueles que fazem a Copa justificar cada minuto de espera.

No segundo tempo, Tuchel deve ter lembrado seus jogadores da importância de vencer aquele teste. A Inglaterra voltou avassaladora. Física, intensa e tecnicamente muito bem resolvida, empilhou chances, fez o terceiro com Bellingham e não deixou os croatas respirarem. Foi uma das melhores atuações de uma seleção inglesa em Copas do Mundo. Animador.

O quarto gol saiu porque parecia inevitável. E que golaço de Rashford. Sim, ele estava no banco, assim como Bukayo Saka.

4 a 2. Um jogaço.

 



 












A Inglaterra é, sim, uma das candidatas ao caneco. Chega mais sólida, mais experiente e mais forte do que em qualquer outra oportunidade desde a Copa de 1990, na Itália, quando alcançou a semifinal contra a Alemanha com uma geração que tinha nomes como Paul Gascoigne, David Platt e Gary Lineker.

Certamente este é o melhor time inglês desde então. Talvez seja até superior àquele, com um elenco mais completo e mais profundo.

Is it coming home?

Eu não duvidaria.

 

 

 

João Ferreira (Djandjas)

Imigrante em Dublin e amante do futebol raiz, desde a Copa de 1986