Mas Jude Bellingham estava em campo. Que atuação do
craque inglês. Mais uma vez, espetacular. A esta altura da Copa, já podemos
dizer que ele se tornou o jogador mais importante do English Team.
A Noruega começou melhor. Com Ødegaard, Ryerson e
Patrick Berg comandando o meio-campo, os noruegueses controlavam a posse de
bola e ditavam o ritmo da partida. Muito além da máquina de gols, Erling
Haaland, esta é uma seleção que possui um setor de criação sólido e muito bem
organizado.
A superioridade nórdica era tanta que, aos 36
minutos, Schjelderup acertou um verdadeiro petardo. Jordan Pickford tirou o
braço, confiando mais uma vez em seu já conhecido e arriscado golpe de vista. A bola morreu no ângulo
esquerdo.
Pickford pode ser carismático, um líder e reunir
inúmeras qualidades dentro do grupo. Mas lhe falta qualidade técnica em alguns
fundamentos. E isso pode, sim, se tornar um problema para uma seleção que sonha
com o título.
A Inglaterra encontrou sua resposta pelo lado
esquerdo. Gordon fez excelente jogada e encontrou Bellingham, que invadiu a
área com passadas largas e muita força física. O camisa 10 deixou dois
marcadores para trás e bateu cruzado, sem qualquer chance para Nyland. Um
golaço: 1 a 1.
No fim da primeira etapa, a Inglaterra ainda esteve
muito perto da virada e foi para o intervalo deixando a sensação de que o
empate favorecia mais os ingleses do que os noruegueses.
O segundo tempo começou exatamente como o primeiro,
com a Noruega controlando as ações. Mas Thomas Tuchel fez duas alterações
importantes: colocou Saka no lugar de Madueke e Eze na vaga do pendurado Rice.
Só consigo entender Saka começando no banco por
questões físicas. Quando está em condições, precisa ser titular absoluto desta
equipe. Já a saída de Rice foi uma tentativa de dar mais criatividade e poder
de decisão ao meio-campo com a entrada de Eze.
A entrada de Saka funcionou muito bem. Em grande
jogada pela direita, quase colocou a Inglaterra em vantagem. Já Eze esteve
longe de produzir o efeito esperado. A Noruega ainda chegou a marcar, mas o gol
foi corretamente anulado após uma falta clara de Haaland na origem da jogada.
Na reta final do tempo regulamentar, Tuchel
promoveu novas mudanças. Sacou Gordon, O'Reilly e Konsa para as entradas de
Reece James, Djed Spence e Morgan Rogers. Foi aí que começou a vencer a
partida. A Inglaterra cresceu, ganhou intensidade, passou a pressionar mais e
terminou muito melhor do que a Noruega. A prorrogação era uma consequência natural.
Logo aos três minutos do tempo extra, apareceu
novamente o nome da Copa para a Inglaterra: Jude Bellingham. Após um chute de
fora da área, Nyland cometeu uma falha grotesca e soltou a bola nos pés do
camisa 10 inglês. Como um centroavante nato, Bellingham aproveitou o presente e
colocou a Inglaterra em vantagem: 2 a 1.
Na troca de lados da prorrogação, Ståle Solbakken
praticamente entregou a partida ao substituir Erling Haaland. Sem seu principal
goleador, a Noruega perdeu poder ofensivo e deixou de assustar a defesa
inglesa. A Inglaterra administrou o resultado com maturidade e confiança até o
apito final.
Mais uma vez, a Inglaterra está entre as quatro
melhores seleções do mundo. É um time cascudo, competitivo e que cresce
justamente nos momentos de maior pressão.
A semifinal contra a Argentina promete. Será a
revanche de La Mano de Dios, de 1986. E a possibilidade de uma
decisão contra França ou Espanha já desperta a imaginação dos torcedores
ingleses.
Tuchel, no entanto, terá trabalho. Sem Quansah,
precisará encontrar uma solução para recompor a defesa e melhorar a saída de
bola, que voltou a apresentar dificuldades. Ainda assim, a sensação é cada vez mais forte.
It's coming home.
Come on, England.
João
Ferreira (Djandjas)
imigrante em Dublin e amante do futebol raiz, desde a Copa de 1986







