quarta-feira, 15 de julho de 2026

2026 | O Baile de Dallas

 







Embora a Queda da Bastilha tenha sido um evento francês, ela abalou profundamente a Espanha e conectou a história das duas nações em uma rivalidade que hoje transcende o futebol. O pânico tomou conta da corte de Madrid, já que Carlos IV pertencia à mesma dinastia Bourbon destronada na França, o que levaria os espanhóis a declarar guerra à nova República. Esse choque, que depois culminou na invasão napoleônica da Península Ibérica, moldou séculos de alianças e confrontos — e deu ainda mais peso histórico ao clássico europeu que, ontem, terminou em baile espanhol.

 



 












Antes da partida, Lamine Yamal avisou: “Se a França tem algo a temer, é a Espanha.” Em Dallas, tratou de conduzir a dança e sustentar as próprias palavras. Diante de um dos ataques mais poderosos da Copa, formado por Mbappé, Dembélé e Olise, La Roja voltou a marcar o compasso. Em dois anos, foram três duelos e três vitórias espanholas em semifinais: Euro 2024, Liga das Nações 2025 e, agora, Copa do Mundo.

A Espanha teve mais posse desde o início, com o toque refinado de Rodri ditando o ritmo do meio-campo. A França apostava em transições rápidas para explorar o mano a mano, sobretudo com Mbappé. Em um jogo de poucas chances, Digne errou aos 19min: afastou mal de cabeça dentro da área e, surpreendido pela antecipação inteligente de Lamine Yamal, acabou atingindo o craque espanhol. Pênalti. Oyarzabal cobrou com precisão e abriu o placar aos 21. Logo depois, Saliba voltou a sentir dores nas costas e foi substituído. Aos 37, a pressão espanhola quase levou ao segundo gol, mas Fabián Ruiz foi travado. A França respondeu com um lançamento para Mbappé, cortado por um Unai Simón atento, fora da área. E o primeiro tempo terminou com uma velha sensação de déjà vu — ao menos para os espanhóis.

 



 











Deschamps voltou do intervalo com Koné no lugar do amarelado Rabiot, mas o jogo pouco mudou: a Espanha continuou no controle. Doué entrou na vaga de Barcola e, logo depois, saiu o segundo gol. Pedro Porro tabelou com Dani Olmo em uma sequência bem coreografada e finalizou diante de Maignan para fazer 2 a 0, aos 12min. Pouco depois, Yamal marcou um golaço, anulado por impedimento na origem da jogada. Sem conseguir impor seu jogo coletivo, a França mudou de ritmo e passou a depender das ações individuais de seus craques. Porém, Olise atravessou a semifinal sem deixar vestígios, Mbappé foi neutralizado e Dembélé só encontrou espaço na reta final — Unai Simón já estava pronto para fechar o baile. Quando a França enfim ameaçou entrar na dança, a Espanha já a tinha tirado para dançar fazia tempo.

 



 










A Fúria não perde há mais de dois anos. A última derrota foi em março de 2024, por 1 a 0 para a Colômbia, em amistoso disputado em Londres. Quatro dias depois, o empate por 3 a 3 com o Brasil de Dorival Júnior abriu uma sequência invicta que chegou a 37 partidas, igualando o recorde estabelecido pela Itália entre 2018 e 2021.

Depois de conquistar a Europa, a Espanha quer conquistar o mundo mais uma vez. E quem vier terá de aceitar o convite: a Espanha já escolheu a música e está pronta para conduzir a última dança.

 



 










Em 14 de julho de 2026, no aniversário da Queda da Bastilha, caiu a França.

Quem será o próximo?



Olé.

 

 

 

 Marcelo Martensen (MILAN)

Publicitário e criador do De Letra na Copa,

pagou caro por confiar cegamente na França.