Entre vuvuzelas, uma missão e o braai
Nesta Copa, a África do Sul volta ao maior palco do
futebol com uma missão clara: deixar de ser apenas presença e finalmente
avançar. Será a quarta participação dos Bafana Bafana em
Mundiais, e a primeira fase, velha fronteira sul-africana, volta a ser o grande
desafio.
A história da seleção em Copas nunca se restringiu
às quatro linhas. Durante o Apartheid, até a bola foi segregada: havia
federações separadas para brancos, negros, mestiços e asiáticos. A FIFA
suspendeu o país de suas competições, e a África do Sul só reencontrou o
cenário internacional após o fim do regime.
A estreia veio em 1998, na França. Empates contra Dinamarca e Arábia Saudita, derrota para os anfitriões e eliminação. Em 2002, apareceu a primeira vitória: 1 a 0 sobre a Eslovênia. Mas, de novo, o time ficou pelo caminho, como quem bate à porta sem conseguir entrar.
Em 2010, a Copa foi em casa. O mundo conheceu as
vuvuzelas, aquele som de enxame metálico que irritou muitos ouvidos, mas virou
assinatura de um povo. Dentro de campo, a campanha teve empate com o México,
derrota para o Uruguai e vitória sobre a França. Ainda assim, os sul-africanos
se tornaram os primeiros anfitriões eliminados na fase de grupos.
No país, o futebol divide a paisagem esportiva com
o rugby. Os Springboks são tetracampeões mundiais e símbolo de união nacional;
o futebol, mais popular entre a maioria negra, pulsa nas ruas, nas famílias e
em Soweto, palco do clássico entre Kaizer Chiefs e Orlando Pirates.
Agora, em 2026, os Bafana Bafana retornam cercados
de memória, barulho e expectativa. Entre vuvuzelas, emoção e braai — o
churrasco sul-africano, que também é ritual de encontro —, a seleção tenta
fazer algo inédito: passar da fase de grupos. Seria mais do que uma
classificação. Seria a África do Sul soprando sua história mais alto do que
nunca.
No ataque, Lyle Foster, aos 25 anos, atua na elite
do futebol inglês pelo Burnley e chega como grande esperança de gols, a peça
mais perigosa do time. A espinha dorsal ainda tem Ronwen Williams, capitão e
goleiro do Mamelodi Sundowns, conhecido pelos quatro pênaltis defendidos em uma
mesma decisão na Copa Africana; e Teboho Mokoena, motor do meio-campo, dono de
visão, força e um chute de longa distância capaz de fazer a bola falar mais
alto que qualquer corneta.
ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)









