Blue Lock Ativado
Se você achava que os Samurais Azuis — apelido
oficial da seleção japonesa de futebol — só sabiam dar show de educação
limpando o vestiário e recolhendo o lixo nas arquibancadas, prepare-se: em
2026, eles querem mesmo limpar o chão com os adversários.
O futebol japonês não é mais aquele dos tempos em
que o Oliver Tsubasa, protagonista fictício da franquia de mangá e anime Super
Campeões, demorava três episódios para correr de uma área a outra. A
evolução do Samurai Blue é assustadora. Se, na estreia em Copas, em 1998, a
gente olhava com aquela simpatia de quem vê um cachorrinho tentando subir a
escada, hoje os caras jogam um futebol vertical, dinâmico e de altíssima
intensidade, capaz de fazer qualquer gigante tremer nas bases — que o digam
Alemanha e Espanha, vítimas daquela blitz implacável no Qatar.
Para esta Copa de 2026, o professor Hajime Moriyasu
montou uma verdadeira máquina. O time esbanja a tradicional disciplina tática e
uma entrega física invejável, mas o grande diferencial é a evolução técnica
dessa geração. Com a genialidade de Takefusa Kubo armando o jogo e as
arrancadas do motorzinho Kaoru Mitoma pelas pontas — com dribles tão precisos
que parecem calculados por algoritmo —, os adversários vão precisar de muito
mais do que sorte para segurar o ímpeto japonês no Grupo F.
A ausência de Takumi Minamino chama atenção porque
não se trata de um nome qualquer. Ex-Liverpool, destaque do Monaco e peça
importante da seleção nos últimos ciclos, ele foi, por anos, um dos rostos mais
reconhecíveis do futebol japonês na Europa. Sua falta marca uma mudança de
rota: Moriyasu parece apostar em um Japão mais intenso, menos preso a
hierarquias antigas e mais moldado à geração de Kubo, Mitoma e companhia. Para
um time que quer deixar de ser promessa e virar ameaça real, até ausências importantes
ajudam a contar a história da renovação. Sob a liderança de Wataru Endo,
capitão e xerife do meio-campo, a seleção nipônica promete não ser apenas uma
"surpresa simpática", mas sim uma candidata real a ir longe no
mata-mata.
No fim das contas, é impossível não torcer pelo
Japão. Eles trazem para a Copa o mais puro espírito esportivo: competem com uma
lealdade exemplar, jogam um futebol bonito e, de quebra, ainda deixam o
vestiário brilhando. Em um torneio deste tamanho, a Samurai Blue prova que a
verdadeira honra está em jogar com o coração na ponta da chuteira. Olho neles,
porque o projeto "Blue Lock" parece mais vivo do que nunca — e quem
subestimar o Japão pode acabar varrido do caminho.
ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)
HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)
Henrique
Oti Shinomata
Médico da
Santa Casa de São Paulo
Para ler sobre a Holanda, de Josu, clique aqui

























