Antes da partida, Lamine Yamal avisou: “Se a
França tem algo a temer, é a Espanha.” Em Dallas, tratou de conduzir a
dança e sustentar as próprias palavras. Diante de um dos ataques mais poderosos
da Copa, formado por Mbappé, Dembélé e Olise, La Roja voltou a marcar o
compasso. Em dois anos, foram três duelos e três vitórias espanholas em semifinais:
Euro 2024, Liga das Nações 2025 e, agora, Copa do Mundo.
A Espanha teve mais posse desde o início, com o toque refinado de Rodri ditando o ritmo do meio-campo. A França apostava em transições rápidas para explorar o mano a mano, sobretudo com Mbappé. Em um jogo de poucas chances, Digne errou aos 19min: afastou mal de cabeça dentro da área e, surpreendido pela antecipação inteligente de Lamine Yamal, acabou atingindo o craque espanhol. Pênalti. Oyarzabal cobrou com precisão e abriu o placar aos 21. Logo depois, Saliba voltou a sentir dores nas costas e foi substituído. Aos 37, a pressão espanhola quase levou ao segundo gol, mas Fabián Ruiz foi travado. A França respondeu com um lançamento para Mbappé, cortado por um Unai Simón atento, fora da área. E o primeiro tempo terminou com uma velha sensação de déjà vu — ao menos para os espanhóis.
Deschamps voltou do intervalo com Koné no lugar do
amarelado Rabiot, mas o jogo pouco mudou: a Espanha continuou no controle.
Doué entrou na vaga de Barcola e, logo depois, saiu o segundo gol. Pedro Porro
tabelou com Dani Olmo em uma sequência bem coreografada e finalizou diante de
Maignan para fazer 2 a 0, aos 12min. Pouco depois, Yamal marcou um golaço,
anulado por impedimento na origem da jogada. Sem conseguir impor seu jogo
coletivo, a França mudou de ritmo e passou a depender das ações individuais
de seus craques. Porém, Olise atravessou a semifinal sem deixar vestígios,
Mbappé foi neutralizado e Dembélé só encontrou espaço na reta final — Unai Simón já estava pronto para fechar o baile. Quando a França enfim ameaçou
entrar na dança, a Espanha já a tinha tirado para dançar fazia tempo.
A Fúria não perde há mais de dois anos. A última
derrota foi em março de 2024, por 1 a 0 para a Colômbia, em amistoso disputado
em Londres. Quatro dias depois, o empate por 3 a 3 com o Brasil de Dorival
Júnior abriu uma sequência invicta que chegou a 37 partidas, igualando o
recorde estabelecido pela Itália entre 2018 e 2021.
Depois de conquistar a Europa, a Espanha quer
conquistar o mundo mais uma vez. E quem vier terá de aceitar o convite: a
Espanha já escolheu a música e está pronta para conduzir a última dança.
Em 14 de julho de 2026, no aniversário da Queda da
Bastilha, caiu a França.
Quem será o próximo?
Olé.
Marcelo
Martensen (MILAN)
Publicitário
e criador do De Letra na Copa,
pagou
caro por confiar cegamente na França.





