Em 2026, com o sucesso de “Dai Dai”, música oficial
da Copa do Mundo, Shakira vive uma fase profissional renovada, impulsionada
ainda mais pelo histórico show em Copacabana. Na vida pessoal, porém, o cenário
é outro: após superar o doloroso e midiático término com Piqué, em 2022,
declara-se solteira, dedicada aos filhos, Milan e Sasha, e apaixonada pela
própria carreira.
E o que essas histórias, separadas por 16 anos, têm
a ver com a final da Copa? Mudaram os palcos, os amores e as canções, mas uma
coisa permaneceu igual: nas duas Copas em que Shakira fez a música oficial, a
Espanha terminou campeã.
O início de jogo já antecipava o roteiro final. Em menos
de quatro minutos, Lamine Yamal invadiu duas vezes a área argentina com a bola
dominada. Primeiro, tabelou com Dani Olmo e bateu de esquerda, com desvio;
depois, cruzou sem força. A Espanha controlava com posse e paciência, mas
produzia pouco até os 30 minutos. A Argentina oferecia ainda menos. Messi
tentou alcançar um lançamento, cortado por Unai Simón, e a Scaloneta terminou o
primeiro tempo sem finalizar — prenúncio dos 90 minutos sem um único chute no
alvo.
O intervalo foi, sem dúvida, a melhor parte da
decisão. Para desespero da maioria argentina no MetLife Stadium, Ronaldo e
Ronaldinho chegaram dirigindo o carro de Madonna e abriram o espetáculo. Depois
de Justin Bieber, Ted Lasso e até da banda Electric Mayhem, dos Muppets, um
anúncio inesperado de Pelé no telão, dizendo “love”, emocionou o mundo — menos
o lado platino do estádio. Mais um golpe nos argentinos presentes.
Com Otamendi em campo desde o fim da primeira etapa
e Paredes acionado no intervalo, a Argentina tentou ganhar fôlego — não
conseguiu. Logo nos primeiros segundos, Baena roubou a bola e finalizou,
deixando claro que a pressão espanhola continuaria. Scaloni voltou a mexer
antes dos dez minutos, mas nada mudou. Dani Olmo exigiu nova defesa de
Dibu, enquanto a Espanha atravessava o campo em combinações rápidas. Depois, Yamal cruzou na
medida para Ferran Torres, substituto de Oyarzabal, cabecear nas mãos do
goleiro argentino.
Aos 29, De la Fuente lançou Nico Williams e Merino.
O jogo seguia inclinado para um só lado. A Espanha acumulava 13 finalizações e
controle absoluto, mas ainda sem transformar o domínio em chances realmente
sufocantes. A Argentina só ameaçou em uma rara sequência de passes, encerrada
por um cruzamento fechado de Simeone, bem defendido por Unai Simón. Nos
acréscimos, Enzo Fernández deixou o pé em uma dividida forte com Cubarsí,
recebeu o segundo amarelo e foi expulso. Antes da prorrogação, Yamal ainda cobrou
falta com perigo, mas Dibu espalmou e adiou o desfecho.
Com um jogador a mais, a Espanha partiu para o
golpe final na prorrogação. Nico Williams cabeceou sem força e Dibu salvou
quase por instinto. Logo depois, Merino girou na área, Nico aproveitou a sobra
e marcou, mas o árbitro viu falta de ataque e anulou. O drama aumentou quando
Merino desperdiçou a chance mais limpa da Espanha, após cruzamento perfeito de
Nico. Até que, nos primeiros segundos da segunda etapa do tempo extra, o
domínio finalmente virou gol. Depois de 105 minutos e 19 finalizações, Lamine
Yamal cruzou, Nico ajeitou e Ferran Torres empurrou a Argentina para o vice.
No fim, com um jogador a menos e perdendo por 1 a
0, a Argentina ainda tentou um último esforço: Giovanni Simeone chutou por
cima. Depois do apito final, Paredes revelou o pior lado da
derrota e iniciou uma confusão. Com os ânimos já controlados, Cubarsí recebeu o
prêmio de melhor jovem, Unai Simón ficou com a Luva de Ouro e Rodri levou a
Bola de Ouro. Enquanto isso, Messi, o verdadeiro craque da Copa, chorava de
costas para o palco, ao lado dos companheiros, todos voltados para a torcida
alviceleste.
E então tudo se completou. Dezesseis anos depois, a
Espanha voltou a ser campeã como atual vencedora da Euro, com oito jogadores do
Barcelona, no Grupo H, após tropeçar na estreia e eliminar Portugal por 1 a 0
nas oitavas. Outra geração, a mesma história. De la Fuente conduziu uma equipe
que jogou como uma família: unida, paciente e fiel à bola até o último passe.
Em 2010, Iniesta encerrou a espera; em 2026, Ferran Torres confirmou o déjà-vu.
E o mundo voltou a ser da Espanha. E da Shakira.
Olé.
Marcelo
Martensen (MILAN)
Publicitário
e criador do De Letra na Copa,
cravou o
placar e ganhou o bolão.







