principalmente na defesa. Fabrício Bruno entregou o primeiro gol japonês e ainda fez um contra; Hugo não segurou a cabeçada de Ueda na virada nipônica. Pela primeira vez, a Seleção perdeu para os Samurais Azuis, e a mídia brasileira caiu matando. Depois, em março, o Japão venceu a Inglaterra em Wembley, ganhou moral, confiança e virou surpresa da Copa antes mesmo de ela começar.
Por isso, quando o chaveamento colocou o grupo do
Japão no caminho brasileiro logo nos 16 avos, a lembrança daquele amistoso
voltou com força. Antes da Copa, já havia quem tratasse os Samurais Azuis como
uma pedra no sapato; durante a primeira fase, cada jogo japonês aumentou a
pulga atrás da orelha. Não era um medo declarado, mas uma preocupação incômoda,
alimentada por uma pergunta simples: e se aquele 3 a 2 em Tóquio não tivesse
sido um simples acidente de percurso?
O jogo em Houston começou com o Brasil acelerando e
criando algumas chances, até Casemiro levar amarelo aos 15 min e ficar
pendurado. O Japão pressionava alto, encaixava a marcação e não deixava o
meio-campo brasileiro respirar. Quando a Seleção tentava sair, abria espaço, e
os japoneses chegavam com facilidade à área.
Aos 29, Danilo errou na saída, Sano interceptou,
avançou e bateu forte, no canto de Alisson. Japão 1 a 0 e “Houston, we have
a problem.”
Ancelotti voltou para o segundo tempo com Endrick
no lugar de Paquetá, mas a torcida queria mesmo a saída de Casemiro. Homem de
confiança de Carletto desde o Real Madrid, o camisa 5 seguiu em campo, mesmo
com o amarelo condicionando seus movimentos. O Brasil saiu para o jogo,
insistiu por dentro e demorou a explorar a bola aérea, vulnerabilidade
japonesa. Aos 8 min, Casemiro quase empatou, mas a zaga tirou em cima da linha.
Pouco depois, Vini recuperou a bola, Gabriel Magalhães cruzou na medida, e
Casemiro apareceu na segunda trave: 1 a 1 e a redenção. Aos 12, Vini quase
virou em uma jogada antológica: caneta no domínio, dois zagueiros para trás e
um bico à la Romário (e Ronaldo), parado por uma defesa monumental de Suzuki,
com a ponta dos dedos.
O Brasil jogava melhor, e o Japão se encolheu. Apesar
de mais organizados, os japoneses cederam espaço e sentiram o peso do
adversário. É, a camisa pesou. Do outro lado estava Casemiro, mesmo já não
sendo o mesmo, já distante do auge, mas ainda respeitado. Estavam dois zagueiros
finalistas da Champions League. Estava a camisa amarela da Seleção, pesando
incontáveis toneladas.
Então Martinelli entrou no lugar de Matheus Cunha,
e o torcedor pensou: “E o Neymar?” E quando tudo indicava uma
prorrogação, apareceu a estrela do atacante do Arsenal. Nos acréscimos, Rayan
roubou uma bola perdida, tocou para Bruno Guimarães, que ficou entre o chute e
o passe até ver Martinelli solto no meio da zaga japonesa. O camisa 22 recebeu
e bateu no cantinho de Suzuki, sem chance, com a bola beijando a trave antes de
entrar.
Foi uma vitória da raça, da camisa mais pesada do
futebol. A virada — desta vez, nossa — veio no último lance. O Brasil arrancou
o Japão da memória, fechou a conta de 2025 e mandou o fantasma embora de
Houston. Sayonara, Samurais Azuis.
Marcelo
Martensen (MILAN)
Publicitário
e criador do De Letra na Copa,
dá pra acreditar na Seleção Brasileira





