Tuchel mostrou logo na estreia que suas escolhas
podem ter sido as corretas. Silenciou as cornetas ruidosas de boa parte da
imprensa britânica e de torcedores que ainda questionavam a ausência de
jogadores antes considerados imprescindíveis, como Maguire, Foden, Palmer
e Alexander-Arnold.
Partidaça de Harry Kane, autor de dois gols, um
deles em um belíssimo cabeceio após cobrança de escanteio. Também chamaram a atenção Rice, Anderson e Bellingham, este último surgindo em todos os cantos do
gramado. Foi igualmente notável a atuação coletiva do esquadrão inglês.
Pickford não é um dos goleiros mais técnicos, mas
tem carisma e, claramente, sabe organizar uma defesa sólida. Os laterais foram
participativos, com Reece James e O’Reilly oferecendo presença constante pelos
lados do campo. A zaga, formada por Konsa e Stones, passou segurança. O
meio-campo inglês é um dos mais fortes da Copa, com os nomes já citados dando
um volume de jogo impressionante. No ataque, Kane, Gordon e Madueke mantiveram
a Croácia sob pressão. E ainda havia Saka, Rashford e outros grandes nomes no
banco.
O primeiro tempo foi disputadíssimo. Contra uma
grande seleção, finalista em 2018 e semifinalista em 2022, a Inglaterra
encontrou um confronto duríssimo. Foi um verdadeiro toma lá, dá cá. Um 2 a 2
maravilhoso, daqueles que fazem a Copa justificar cada minuto de espera.
No segundo tempo, Tuchel deve ter lembrado seus
jogadores da importância de vencer aquele teste. A Inglaterra voltou
avassaladora. Física, intensa e tecnicamente muito bem resolvida, empilhou
chances, fez o terceiro com Bellingham e não deixou os croatas respirarem. Foi
uma das melhores atuações de uma seleção inglesa em Copas do Mundo. Animador.
O quarto gol saiu porque parecia inevitável. E que golaço de Rashford. Sim, ele estava no banco, assim como Bukayo Saka.
4 a 2. Um jogaço.
A Inglaterra é, sim, uma das candidatas ao caneco.
Chega mais sólida, mais experiente e mais forte do que em qualquer outra
oportunidade desde a Copa de 1990, na Itália, quando alcançou a semifinal
contra a Alemanha com uma geração que tinha nomes como Paul Gascoigne, David
Platt e Gary Lineker.
Certamente este é o melhor time inglês desde então.
Talvez seja até superior àquele, com um elenco mais completo e mais profundo.
Is it coming home?
Eu não duvidaria.
João
Ferreira (Djandjas)
Imigrante
em Dublin e amante do futebol raiz, desde a Copa de 1986




