segunda-feira, 25 de maio de 2026

Copa 2026 • Grupo A • África do Sul

Entre vuvuzelas, uma missão e o braai




Nesta Copa, a África do Sul volta ao maior palco do futebol com uma missão clara: deixar de ser apenas presença e finalmente avançar. Será a quarta participação dos Bafana Bafana em Mundiais, e a primeira fase, velha fronteira sul-africana, volta a ser o grande desafio.

A história da seleção em Copas nunca se restringiu às quatro linhas. Durante o Apartheid, até a bola foi segregada: havia federações separadas para brancos, negros, mestiços e asiáticos. A FIFA suspendeu o país de suas competições, e a África do Sul só reencontrou o cenário internacional após o fim do regime.












A estreia veio em 1998, na França. Empates contra Dinamarca e Arábia Saudita, derrota para os anfitriões e eliminação. Em 2002, apareceu a primeira vitória: 1 a 0 sobre a Eslovênia. Mas, de novo, o time ficou pelo caminho, como quem bate à porta sem conseguir entrar.

Em 2010, a Copa foi em casa. O mundo conheceu as vuvuzelas, aquele som de enxame metálico que irritou muitos ouvidos, mas virou assinatura de um povo. Dentro de campo, a campanha teve empate com o México, derrota para o Uruguai e vitória sobre a França. Ainda assim, os sul-africanos se tornaram os primeiros anfitriões eliminados na fase de grupos.

No país, o futebol divide a paisagem esportiva com o rugby. Os Springboks são tetracampeões mundiais e símbolo de união nacional; o futebol, mais popular entre a maioria negra, pulsa nas ruas, nas famílias e em Soweto, palco do clássico entre Kaizer Chiefs e Orlando Pirates.

















Agora, em 2026, os Bafana Bafana retornam cercados de memória, barulho e expectativa. Entre vuvuzelas, emoção e braai — o churrasco sul-africano, que também é ritual de encontro —, a seleção tenta fazer algo inédito: passar da fase de grupos. Seria mais do que uma classificação. Seria a África do Sul soprando sua história mais alto do que nunca.

No ataque, Lyle Foster, aos 25 anos, atua na elite do futebol inglês pelo Burnley e chega como grande esperança de gols, a peça mais perigosa do time. A espinha dorsal ainda tem Ronwen Williams, capitão e goleiro do Mamelodi Sundowns, conhecido pelos quatro pênaltis defendidos em uma mesma decisão na Copa Africana; e Teboho Mokoena, motor do meio-campo, dono de visão, força e um chute de longa distância capaz de fazer a bola falar mais alto que qualquer corneta.






























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HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)




Felipe Sanches (BUCCA)
historiador e arqueólogo, mora em Toledo (PR); 
primeiro jogador de rugby da família






Copa 2026 • Grupo A • México

¡¡ Mexico lindo y querido!! Como dice la canción




Mundial quase começando e o país comemora mais uma edição em território tricolor. O povo mexicano espera ansiosamente o início da Copa. Muito mais pela festa do que pela seleção tricolor, temos que deixar bem claro. Esta seleção, longe de seu melhor momento, atravessa um período conturbado, com falta de talentos, diferentemente do passado, quando tínhamos Cuauhtémoc Blanco, 'Chicharito' Hernández, Jorge Campos e Rafa Márquez brilhando em seus clubes e na seleção.

O técnico Javier “Vasco” Aguirre, um disciplinador nato, busca encontrar no esquema defensivo a melhor alternativa para o sucesso. Jogando normalmente em um esquema 4-4-2, a seleção mexicana buscará, contra equipes rápidas e jogadores habilidosos, concentrar-se em passes curtos e em marcação avançada para encontrar sua fortaleza e surpreender seus adversários — característica marcante de Aguirre.

Apesar de certa desconfiança, a lista final ainda não foi definida — mas há bons jogadores que fazem parte da pré-lista de convocados. O goleiro Carlos Acevedo, do Santos Laguna; o talentoso meio-campista Brian Gutiérrez, do Chivas Guadalajara; o habilidoso Alexis Vega, do Toluca, e o atacante Raúl Jiménez, veterano em Mundiais, são alguns dos principais nomes que podem ganhar destaque na lista definitiva.















Há ainda um personagem que parece atravessar Copas como quem atravessa gerações: Guillermo “Memo” Ochoa. Aos 40 anos, o goleiro tenta estar em mais um Mundial e pode chegar à sexta Copa no elenco mexicano, depois de ter estado nas edições de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. A convocação final ainda depende de Javier Aguirre, mas Ochoa entrou na lista preliminar e trata este ciclo como um possível último capítulo com a seleção.

O grupo mexicano, composto por África do Sul, Coreia do Sul e República Tcheca, promete ser bem equilibrado, e vejo com bons olhos um avanço à fase de mata-mata. O fator “jogar em casa” anima — e muito — o panorama para que isso aconteça.

¡El pueblo mexicano echará porras!!! Para os desentendidos, não confundam... O povo mexicano levará vibrações positivas para sua seleção! Com certeza, os estádios estarão cheios, a energia será contagiante, como em todos os Mundiais, e o sonho mexicano de ver sua seleção avançar em casa, talvez até às quartas de final, estará sempre presente. Falta pouco para vermos o que vai acontecer!

¡Que los dioses olmecas, mayas, teotihuacanos, zapotecas, mixtecas, toltecas y aztecas protejan e iluminen nuestro amado México!

E como se diz por aqui...

¡¡¡ARRIBA, MÉXICO, CABRONES!!!










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HISTÓRICOS EM COPAS (clique para ampliar)



Fabio Calvi Guidetti (BATATAU),
profissional de comércio exterior, mora desde 2008 no México, 
um território diferente culturalmente do Brasil, mas igualmente
apaixonado por futebol como qualquer brasileiro