domingo, 12 de julho de 2026

2026 | Rei Jude

 







Esperávamos um jogo completamente diferente daquele que vimos. A expectativa era de uma Inglaterra avassaladora, dominante desde o início, confirmando a excelente impressão deixada na grande atuação contra o México, nas oitavas de final. Mas não foi isso que aconteceu. O que vimos foi uma Noruega muito organizada e confiante em seu futebol. A mesma seleção que havia dominado o Brasil voltou a mostrar um futebol consistente e extremamente competitivo.

 



 












Mas Jude Bellingham estava em campo. Que atuação do craque inglês. Mais uma vez, espetacular. A esta altura da Copa, já podemos dizer que ele se tornou o jogador mais importante do English Team.

A Noruega começou melhor. Com Ødegaard, Ryerson e Patrick Berg comandando o meio-campo, os noruegueses controlavam a posse de bola e ditavam o ritmo da partida. Muito além da máquina de gols, Erling Haaland, esta é uma seleção que possui um setor de criação sólido e muito bem organizado.

A superioridade nórdica era tanta que, aos 36 minutos, Schjelderup acertou um verdadeiro petardo. Jordan Pickford tirou o braço, confiando mais uma vez em seu já conhecido e arriscado golpe de vista. A bola morreu no ângulo esquerdo.

 



 











Pickford pode ser carismático, um líder e reunir inúmeras qualidades dentro do grupo. Mas lhe falta qualidade técnica em alguns fundamentos. E isso pode, sim, se tornar um problema para uma seleção que sonha com o título.

A Inglaterra encontrou sua resposta pelo lado esquerdo. Gordon fez excelente jogada e encontrou Bellingham, que invadiu a área com passadas largas e muita força física. O camisa 10 deixou dois marcadores para trás e bateu cruzado, sem qualquer chance para Nyland. Um golaço: 1 a 1.

No fim da primeira etapa, a Inglaterra ainda esteve muito perto da virada e foi para o intervalo deixando a sensação de que o empate favorecia mais os ingleses do que os noruegueses.

 



 












O segundo tempo começou exatamente como o primeiro, com a Noruega controlando as ações. Mas Thomas Tuchel fez duas alterações importantes: colocou Saka no lugar de Madueke e Eze na vaga do pendurado Rice.

Só consigo entender Saka começando no banco por questões físicas. Quando está em condições, precisa ser titular absoluto desta equipe. Já a saída de Rice foi uma tentativa de dar mais criatividade e poder de decisão ao meio-campo com a entrada de Eze.

A entrada de Saka funcionou muito bem. Em grande jogada pela direita, quase colocou a Inglaterra em vantagem. Já Eze esteve longe de produzir o efeito esperado. A Noruega ainda chegou a marcar, mas o gol foi corretamente anulado após uma falta clara de Haaland na origem da jogada.

Na reta final do tempo regulamentar, Tuchel promoveu novas mudanças. Sacou Gordon, O'Reilly e Konsa para as entradas de Reece James, Djed Spence e Morgan Rogers. Foi aí que começou a vencer a partida. A Inglaterra cresceu, ganhou intensidade, passou a pressionar mais e terminou muito melhor do que a Noruega. A prorrogação era uma consequência natural.

 



 











Logo aos três minutos do tempo extra, apareceu novamente o nome da Copa para a Inglaterra: Jude Bellingham. Após um chute de fora da área, Nyland cometeu uma falha grotesca e soltou a bola nos pés do camisa 10 inglês. Como um centroavante nato, Bellingham aproveitou o presente e colocou a Inglaterra em vantagem: 2 a 1.

Na troca de lados da prorrogação, Ståle Solbakken praticamente entregou a partida ao substituir Erling Haaland. Sem seu principal goleador, a Noruega perdeu poder ofensivo e deixou de assustar a defesa inglesa. A Inglaterra administrou o resultado com maturidade e confiança até o apito final.

 



 











Mais uma vez, a Inglaterra está entre as quatro melhores seleções do mundo. É um time cascudo, competitivo e que cresce justamente nos momentos de maior pressão.

A semifinal contra a Argentina promete. Será a revanche de La Mano de Dios, de 1986. E a possibilidade de uma decisão contra França ou Espanha já desperta a imaginação dos torcedores ingleses.

Tuchel, no entanto, terá trabalho. Sem Quansah, precisará encontrar uma solução para recompor a defesa e melhorar a saída de bola, que voltou a apresentar dificuldades. Ainda assim, a sensação é cada vez mais forte.




It's coming home.

Come on, England.

 

 

 

João Ferreira (Djandjas)

imigrante em Dublin e amante do futebol raiz, desde a Copa de 1986