Existe uma enorme ironia entre os dois 7 a 1 que a
Alemanha aplicou na história das Copas. Em 2014, entre o primeiro gol alemão e
o quinto, foram 17 minutos. Em Houston, 17 minutos foi o tempo que durou a
alegria curaçauense. A Alemanha saiu na frente com Nmecha logo aos 6min, mas
Curaçao empatou aos 20min e pôs o mundo em alerta. Comenencia aproveitou a
sobra na entrada da área e soltou um foguete com desvio: Neuer foi na bola, mas
não conseguiu evitar o gol. A festa no estádio foi instantânea, como se a
pequena ilha caribenha tivesse acabado de pousar na Lua.
A missão, porém, começou a perder altitude aos
37min. Schlotterbeck subiu na área e fez o segundo, de cabeça. Daí em diante, a
Alemanha assumiu o controle da nave. Ainda no fim da primeira etapa, Nmecha
sofreu pênalti, Havertz cobrou com classe e o intervalo chegou com o placar já
apontando para uma rota bem conhecida para quem conhece o currículo alemão em
Copas.
O pouco equilíbrio do primeiro tempo desapareceu
após o intervalo. A Alemanha, que já havia feito três, fez mais quatro.
Curaçao, ao contrário de sua torcida, não teve forças para reagir. Undav, que
entrou no lugar de Musiala, mudou o ritmo do ataque, deu duas assistências e
ainda deixou o seu. O próprio Musiala marcou, Brown também e Havertz, no fim,
fechou o placar com uma cavadinha por cima do goleiro, como quem tira a bola da
gravidade só para cravar o placar e nos provocar.
Em Houston, a Alemanha lançou mais um 7 a 1 para a
órbita das Copas. Curaçao voltou à Terra com o placar destroçado, mas com a
missão cumprida: chegou ao Mundial, marcou seu gol e fez muito barulho antes da
queda.
Marcelo
Martensen (MILAN)
Publicitário,
criador do De Letra na Copa




