terça-feira, 9 de junho de 2026

2026 • Grupo L • Gana

O Canto do Sankofa



O canto da torcida emite o chamado: 

"Boa noite, meu povo! O quê ééé, eeu cheguei! Mais uma vez, apresentar meu patuá. Eu vou cantar, eu vou cantar com muita alééégria. Apresentar esses meninos de Mandinga".

A torcida era energia pura, danças e tambores vibrantes, cores e cantos em euforia, carregando o orgulho de uma nação, com a tradição de estar onde a seleção ganesa estiver. E eles vivenciaram o maior drama da sua pregressa história.















O ano era 2010, e eles estavam na África do Sul. A expectativa por bons resultados era altíssima, mesmo sendo apenas sua segunda participação. Ainda que gozando de muita juventude, o time possuía uma maturidade precoce. A autoestima despojada da torcida vinha da boa campanha na Copa Africana (vice-campeões). O time, liderado por Asamoah Gyan, carregava o sonho de uma África gloriosa. Fato era, num time com força, com raça e com gana, a confiança era natural.

Fazia um belo dia em Joanesburgo. O público chegava antes da hora marcada para tomar o seu lugar. Alegria se fazia presente em todos os cantos do estádio Soccer City. Ninguém, nem mesmo o mais letárgico torcedor, acreditaria no que aconteceria bem diante de todos. O jogo em si foi tenso e equilibrado: Uruguai 1, Gana também — empate. Na prorrogação, o extraordinário apareceria em campo. A emoção havia ficado para o tempo extra.

Gana estava mais forte fisicamente e tinha as melhores chances. Porém, no minuto final, um lance mudou a história do futebol africano. Bola levanta na área do Uruguai, bate-rebate e a cabeçada de Dominic Adiyiah tinha endereço certo. O atacante Luis Suárez, sórdido, bloqueia a trajetória da bola com as mãos: pênalti e expulsão. Bola na cal, Gyan corre em direção à bola, bate forte e ela explode no travessão. O silêncio apreensivo da torcida prenunciava o fim. Gana acabou eliminada.

 



 









Não houve culpados pela derrota, os ganeses têm uma particularidade: elementos e saberes míticos que os unem — e, curiosamente, unem o Brasil à Gana. Adinkras (ideogramas) são encontrados tanto lá quanto cá. Um adinkra chamado Sankofa está presente em portões e outras serralherias, principalmente em Salvador. O adinkra em forma de ave ou coração significa "olhar para trás para buscar sabedoria e aprender com os ensinamentos do passado, enquanto avançamos para o futuro".

Gana chega à Copa do Mundo de 2026 com um time mais calejado do que as Copas passadas, trazendo os aprendizados que o Sankofa não deixa esquecer. Os jogadores ganeses e a nação, como torcida, sabem que a união é a melhor forma de resistência para chegar mais longe. Que a bola leve Gana ainda mais longe, na Copa das simbologias.

 



 










Créditos Sinceros

• O trecho da canção foi adaptado e é somente ilustrativo para a torcida de Gana.

• “Baianá" (do grupo Barbatuques) é uma adaptação da canção folclórica "Boa Tarde, Povo!", composta originalmente pela Mestra Maria do Carmo Barbosa e Melo, do grupo Baianas Mensageiras de Santa Luzia, de Alagoas.



 














ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)









HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)




Marcos Alencar (FETU)

Publicitário, solidário e cinquentenário



Para ler sobre a Croácia, de Mackeiks/Milan, clique aqui

Para ler sobre o Panamá, de Bucca, clique aqui