quarta-feira, 10 de junho de 2026

2026 • Grupo L • Inglaterra

Is It Coming Home?



Toda Copa do Mundo desperta um sentimento especial na Inglaterra. Berço do futebol e dona de uma das ligas mais fortes do planeta, a Premier League, o English Team chega a cada Mundial carregando o peso da tradição, da expectativa e da cobrança de milhões de torcedores. No entanto, apesar de toda a sua história, os ingleses convivem com uma longa espera. O único título mundial conquistado pela seleção aconteceu em 1966, quando venceu a Alemanha Ocidental na final disputada em Wembley, com uma arbitragem polêmica e muito contestada. Desde então, passaram-se seis décadas marcadas por frustrações, eliminações dolorosas e a sensação constante de que o potencial da equipe nunca foi totalmente transformado em conquistas.

 



 









Nos últimos anos, porém, a Inglaterra pareceu mais próxima do que nunca de encerrar esse jejum. Sob o comando de Gareth Southgate, a equipe alcançou a semifinal da Copa do Mundo de 2018, disputada na Rússia, além de chegar às finais das Eurocopas de 2020 e 2024. Apesar da evolução evidente, os resultados finais deixaram um gosto amargo. A geração considerada uma das mais talentosas da história recente continuou sem levantar troféus importantes. Muitos especialistas apontaram que faltavam ao time uma mentalidade mais vencedora e uma abordagem tática mais agressiva nos momentos decisivos. Diante desse cenário, a FA decidiu apostar em uma mudança significativa ao contratar o alemão Thomas Tuchel para comandar a equipe rumo à Copa do Mundo de 2026. Campeão da Liga dos Campeões com o Chelsea e reconhecido por sua capacidade de organizar equipes competitivas, Tuchel chegou com a missão de dar mais personalidade, confiança e ambição a uma seleção que há anos bate na trave.

Desde os primeiros meses no cargo, Tuchel deixou claro que não pretendia se deixar influenciar por nomes ou reputações. A convocação para a Copa de 2026 trouxe algumas das maiores surpresas do futebol inglês nos últimos tempos. Jogadores como Trent Alexander-Arnold, Harry Maguire, Cole Palmer e Phil Foden ficaram fora da lista final, causando enorme repercussão entre torcedores e analistas. A ausência de Alexander-Arnold chamou a atenção pela sua capacidade criativa e qualidade nos passes. Maguire, apesar das críticas que recebeu nos últimos anos, foi peça importante nas melhores campanhas recentes da seleção. Já Palmer e Foden são considerados dois dos jogadores mais talentosos da nova geração inglesa. Tuchel justificou as escolhas afirmando que priorizou atletas que se encaixam perfeitamente em seu modelo de jogo e que o equilíbrio coletivo seria mais importante do que o talento individual.

 



 









Apesar das polêmicas, as perspectivas para a Inglaterra no Mundial são positivas. A seleção caiu em um grupo que, teoricamente, é favorável. Os ingleses terão pela frente Croácia, Gana e Panamá na fase inicial da competição. A Croácia continua sendo uma equipe respeitável e experiente, mesmo vivendo uma fase de renovação após o ciclo liderado por Luka Modrić. Gana possui uma seleção física, veloz e capaz de surpreender adversários mais fortes. Já o Panamá aparece como o time menos cotado do grupo, embora a história das Copas tenha mostrado inúmeras vezes que não existem adversários fáceis nesse tipo de torneio. A expectativa é que a Inglaterra termine a primeira fase na liderança da chave e avance sem maiores dificuldades para o mata-mata. No entanto, o verdadeiro teste começará a partir da fase de 16 avos de final, quando a margem para erros desaparece e a pressão aumenta exponencialmente.

Grande parte das esperanças inglesas estará concentrada em três jogadores que simbolizam diferentes gerações e características dentro do elenco: Jude Bellingham, Bukayo Saka e Harry Kane. Bellingham é, atualmente, o principal nome da nova geração do futebol inglês. Mesmo jovem, atua com maturidade impressionante e já se consolidou como um dos melhores meio-campistas do mundo. Sua capacidade de controlar o ritmo do jogo, chegar à área adversária e assumir responsabilidades em momentos decisivos faz dele o cérebro da equipe. Saka, por sua vez, tornou-se uma das armas mais perigosas do ataque inglês. Com velocidade, habilidade e inteligência tática, o jogador do Arsenal é capaz de desequilibrar partidas em jogadas individuais ou através de sua movimentação constante. Apesar das constantes contusões nos últimos anos e de não estar no auge de sua ainda breve carreira. Já Harry Kane continua sendo a principal referência ofensiva da seleção. Artilheiro histórico da Inglaterra, o atacante combina experiência, liderança e uma impressionante capacidade de decidir jogos importantes. Kane se coloca hoje como um dos três maiores jogadores do mundo. Se os três estiverem em sua melhor forma durante o torneio, a Inglaterra terá argumentos suficientes para enfrentar qualquer adversário.

 



 












Fazer previsões em uma Copa do Mundo nunca é tarefa simples, mas a Inglaterra chega aos Estados Unidos, ao Canadá e ao México com motivos reais para sonhar. O elenco possui profundidade, qualidade técnica e experiência internacional. Além disso, a chegada de Thomas Tuchel trouxe uma nova energia ao grupo e a sensação de que a seleção está disposta a abandonar antigos complexos que a impediram de alcançar o topo. Ainda assim, equipes como Espanha, França e Argentina continuam aparecendo como referências quando o assunto é favoritismo. Por isso, a Inglaterra talvez não entre na competição como a principal candidata ao título, mas certamente estará entre os postulantes mais fortes.

As previsões mais realistas apontam para uma campanha que pode chegar, no mínimo, às quartas de final. Se conseguir superar a pressão que tradicionalmente acompanha a camisa inglesa e transformar talento em eficiência nos momentos decisivos, a seleção tem todas as condições para disputar a final e, quem sabe, encerrar uma espera que já dura 60 anos.

Para uma geração tão talentosa quanto essa, a Copa do Mundo de 2026 pode representar não apenas mais uma oportunidade, mas talvez a melhor chance de finalmente trazer o troféu de volta para a casa.

 














ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)









HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)


 

 

João Ferreira (Djandjas)

Imigrante em Dublin e amante do futebol raiz, desde a Copa de 1986



Para ler sobre a Croácia, de Mackeiks/Milan, clique aqui

Para ler sobre o Panamá, de Bucca, clique aqui

Para ler sobre Gana, de Fetu, clique aqui