Toronto contra o tempo
Estamos a menos de um mês da Copa do Mundo, e a
ideia é trazer um pouco do clima diretamente de Toronto. Para começar, a
prefeita Olivia Chow não ajudou muito. Depois de prometer que a Fan Fest da
cidade teria entrada gratuita, voltou atrás e anunciou cobrança de 10 dólares
canadenses por pessoa — na cotação de 24 de maio de 2026, 1 dólar americano
valia 1,38 dólar canadense. A reação foi imediata. A população chiou, a
prefeitura recuou e garantiu que 80% dos ingressos seriam gratuitos. Ainda
assim, os outros 20% seguirão pagos, destinados a áreas VIP.
Como se não bastasse, o estádio do Toronto FC, palco dos jogos da cidade, também virou assunto. Em vez de uma ampliação permanente, os organizadores optaram por arquibancadas temporárias. Para quem vê de perto, a cena não é exatamente tranquilizadora. O estádio fica em frente ao Lake Ontario, região de muito vento. Some a isso torcedores de Copa pulando, vibrando e comemorando gols, e a preocupação parece compreensível. Os testes realizados até agora não aliviaram muito esse receio. Alguns torcedores já relataram uma experiência incômoda, e Toronto convive com o nada honroso apelido informal de “pior estádio da Copa”.
Dentro de campo, o Canadá também corre contra o
tempo. A grande dúvida é Alphonso Davies, lateral-esquerdo do Bayern e
principal estrela da seleção, que sofreu lesão muscular na coxa esquerda na
semifinal da Champions, contra o PSG. A convocação sai em 29 de maio, mas na
estreia o capitão deve ser Stephen Eustáquio, meio-campista do Los Angeles FC,
mantendo viva a tradição da comunidade portuguesa no futebol canadense. No
ataque, a esperança passa por Jonathan David, nascido nos Estados Unidos e
naturalizado canadense. Atualmente na Juventus, ele soma 35 partidas e 6 gols,
mas ainda não se firmou como titular absoluto.
Entre desfalques, incertezas, trapalhadas políticas
e arquibancadas preocupantes, Toronto chega à Copa cercada de perguntas. Ainda
mais em um país apaixonado por hóquei no gelo e em uma cidade que também vibra
com os Raptors, no basquete, e os Blue Jays, no beisebol.
O sucesso da Copa em Toronto, por enquanto, segue como incógnita. O jeito será acompanhar tudo de perto e trazer para vocês o que acontecer por aqui. Porque, com ou sem Copa do Mundo, Toronto continua sendo uma cidade espetacular — e vale muito a pena conhecê-la.
Frederico
Neumann (FREDÃO)
Comunicólogo, cantor, compositor e empreendedor,
mora com a família em Toronto há 9 anos.




