terça-feira, 26 de maio de 2026

Copa 2026 • Grupo B • Qatar

O Legado Dá Jogo




Um estádio pode nascer para desaparecer?
Em 2022, o Qatar apresentou ao mundo o Estádio 974, feito com os 974 contêineres que inspiraram seu nome e pensado como uma construção desmontável. Era a metáfora perfeita de uma Copa erguida para impressionar: moderna, cara, milimetricamente planejada — e, em alguns pontos, passageira.

Mas existe uma coisa que não se desmonta depois do apito final: o legado. A Copa de 2022 deixou no Qatar uma imagem contraditória. Fora de campo, o país virou centro do planeta: estádios futuristas, metrôs modernos, tecnologia de ponta, organização invejável e a final inesquecível entre Messi e Mbappé, em Lusail. Dentro de campo, porém, a seleção anfitriã foi pequena diante do próprio palco: três jogos, três derrotas e a sensação de que o país havia construído uma festa maior do que seu futebol. Por isso, 2026 tem outro peso.














O Qatar não chega mais carregado pela condição de anfitrião. Chega classificado pelo campo. A vaga conquistada contra os Emirados Árabes, com vitória por 2 a 1, foi mais do que um resultado: foi uma resposta. Depois de ser lembrado pela eliminação precoce, o Qatar agora tenta transformar a sede de 2022 em sede de vitória. O desafio é provar que o projeto iniciado antes da Copa em casa não terminou na arquitetura. Que as academias, os torneios, os investimentos e a experiência acumulada também formaram uma seleção capaz de competir. Não basta ter mostrado estádios; agora é preciso mostrar futebol.

A equipe chega sob o comando de Julen Lopetegui, técnico espanhol que conhece bem a pressão de uma Copa: em 2018, foi demitido da Espanha às vésperas do Mundial após acertar com o Real Madrid. Agora, no Qatar, tem a missão de dar mais competitividade a uma seleção que aprendeu a vencer na Ásia — é a atual bicampeã continental —, mas ainda busca respeito mundial.

O time tem nomes experientes, como Hassan Al Haydos, Pedro Miguel e Ahmed Alaaeldin. No gol, Meshaal Barsham é uma das figuras importantes da geração vitoriosa. No ataque, Almoez Ali segue como referência de área e presença física. Mas o craque é Akram Afif. Ele é o jogador capaz de fazer o Qatar parecer mais do que organizado: pode fazê-lo parecer perigoso. Criativo, decisivo, forte na bola parada e capaz de transformar um lance comum em chance clara de gol, Afif é o rosto técnico dessa tentativa de renascimento.




 













Em 2022, o Qatar mostrou que sabia organizar uma Copa.

Em 2026, precisa mostrar que também sabe jogar uma.















ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)








HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)




MARCELO MARTENSEN (MILAN)

publicitário e criador do "De Letra na Copa"



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