sexta-feira, 29 de maio de 2026

Copa 2026 • Grupo F • Japão

Blue Lock Ativado 



Se você achava que os Samurais Azuis — apelido oficial da seleção japonesa de futebol — só sabiam dar show de educação limpando o vestiário e recolhendo o lixo nas arquibancadas, prepare-se: em 2026, eles querem mesmo limpar o chão com os adversários.

O futebol japonês não é mais aquele dos tempos em que o Oliver Tsubasa, protagonista fictício da franquia de mangá e anime Super Campeões, demorava três episódios para correr de uma área a outra. A evolução do Samurai Blue é assustadora. Se, na estreia em Copas, em 1998, a gente olhava com aquela simpatia de quem vê um cachorrinho tentando subir a escada, hoje os caras jogam um futebol vertical, dinâmico e de altíssima intensidade, capaz de fazer qualquer gigante tremer nas bases — que o digam Alemanha e Espanha, vítimas daquela blitz implacável no Qatar.

 















Para esta Copa de 2026, o professor Hajime Moriyasu montou uma verdadeira máquina. O time esbanja a tradicional disciplina tática e uma entrega física invejável, mas o grande diferencial é a evolução técnica dessa geração. Com a genialidade de Takefusa Kubo armando o jogo e as arrancadas do motorzinho Kaoru Mitoma pelas pontas — com dribles tão precisos que parecem calculados por algoritmo —, os adversários vão precisar de muito mais do que sorte para segurar o ímpeto japonês no Grupo F.

A ausência de Takumi Minamino chama atenção porque não se trata de um nome qualquer. Ex-Liverpool, destaque do Monaco e peça importante da seleção nos últimos ciclos, ele foi, por anos, um dos rostos mais reconhecíveis do futebol japonês na Europa. Sua falta marca uma mudança de rota: Moriyasu parece apostar em um Japão mais intenso, menos preso a hierarquias antigas e mais moldado à geração de Kubo, Mitoma e companhia. Para um time que quer deixar de ser promessa e virar ameaça real, até ausências importantes ajudam a contar a história da renovação. Sob a liderança de Wataru Endo, capitão e xerife do meio-campo, a seleção nipônica promete não ser apenas uma "surpresa simpática", mas sim uma candidata real a ir longe no mata-mata.

 



 











No fim das contas, é impossível não torcer pelo Japão. Eles trazem para a Copa o mais puro espírito esportivo: competem com uma lealdade exemplar, jogam um futebol bonito e, de quebra, ainda deixam o vestiário brilhando. Em um torneio deste tamanho, a Samurai Blue prova que a verdadeira honra está em jogar com o coração na ponta da chuteira. Olho neles, porque o projeto "Blue Lock" parece mais vivo do que nunca — e quem subestimar o Japão pode acabar varrido do caminho.

 




 










ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)









HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)

 

 

Henrique Oti Shinomata

Médico da Santa Casa de São Paulo 



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