sexta-feira, 29 de maio de 2026

Copa 2026 • Grupo E • Costa do Marfim

A Nova Marcha dos Elefantes



A Costa do Marfim, conhecida como os Elefantes, é uma das seleções mais fascinantes do futebol africano. Carrega a memória de uma geração dourada, mas chega ao ciclo de 2026 com outra identidade e um novo fôlego: menos dependente de nomes históricos, mais organizada e confiante após a conquista da Copa Africana de Nações de 2024.

A estreia marfinense em Copas aconteceu em 2006, na Alemanha, justamente com um elenco que impunha respeito. Drogba, os irmãos Touré, Dindane e Kalou formavam uma equipe talentosa, de dar inveja. Entretanto, o sorteio foi cruel: Argentina, Holanda e Sérvia e Montenegro. Apesar de uma memorável vitória por 3 a 2 sobre os sérvios e um empate épico por 2 a 2 com os argentinos, a equipe foi eliminada ainda na fase de grupos. Em 2010, na África do Sul, o desafio não foi menor no grupo com Brasil, Portugal e Coreia do Norte — foi novamente eliminada. Em 2014, parecia pronta para enfim brilhar, com o já veterano Drogba em campo e jogadores da elite do futebol europeu, mas a derrota para a Grécia no fim do terceiro jogo derrubou novamente os Elefantes na fase de grupos. Depois disso, a seleção ficou fora das Copas de 2018 e 2022. Foi um balde de água fria na geração dourada, que havia chegado ao fim sem entregar tudo o que prometia, o que acelerou o processo de renovação.

 



 











O ciclo pós-geração dourada foi marcado por incertezas, trocas de treinadores e resultados irregulares. A reconstrução parecia não encontrar rumo até que a Costa do Marfim encontrou em Emerse Faé um técnico capaz de reorganizar o elenco e valorizar os novos talentos. O ponto de virada veio na Copa Africana de Nações de 2024, disputada em casa. Em um torneio que começou perto do desastre, com a seleção-sede à beira da eliminação ainda na fase de grupos, a equipe se reinventou no limite. Derrubou adversários de peso, cresceu jogo a jogo e se sagrou campeã continental pela terceira vez, vencendo a tradicional Nigéria na final. Mais do que um troféu, o título foi uma resposta. A prova de que a Costa do Marfim voltava a ter uma seleção competitiva, coesa e capaz de resistir à pressão quando o jogo exige mais do que talento.
















Nas eliminatórias para 2026, a Costa do Marfim mostrou a organização que faltou nos ciclos anteriores. Embalada pelo título da Copa Africana de Nações, manteve uma base estável, cresceu sob o comando de Emerse Faé e aproveitou o novo formato do Mundial, com nove vagas para a África, para confirmar seu retorno ao maior palco do futebol.

A espinha dorsal da Costa do Marfim mistura experiência, força física e juventude. Sébastien Haller, símbolo de superação após vencer um câncer nos testículos, é a principal referência ofensiva. No meio, Franck Kessié segue sendo uma peça de enorme importância pela energia e qualidade técnica, enquanto Simon Adingra oferece velocidade, drible e capacidade de decisão, e Yahia Fofana dá segurança entre as traves.

A seleção amadureceu sem romper com sua hierarquia, sinal de uma transição bem conduzida. Faé prefere uma base mais enxuta e entrosada a uma lista cheia de apostas, escolha que pode pesar a favor em uma Copa de tiro curto. Nomes como Karim Konaté,  Odilon Kossounou e Ibrahim Sangaré dão peso internacional ao elenco. Com Emerse Faé, os Elefantes parecem menos dependentes de lampejos individuais e mais sustentados por um grupo que já sabe competir junto.

No grupo com Alemanha, Equador e Curaçao, a classificação é possível — mas não automática. Se Adingra, Haller, Kessié e companhia encontrarem espaço, os marfinenses podem deixar de ser apenas uma ameaça simpática para se tornarem o incômodo que ninguém quer cruzar. Porque elefante, quando ganha embalo, não pede licença: atravessa.

 
















ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)







HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar) 




João Ferreira (Djandjas)

imigrante em Dublin e amante do futebol raiz, desde a Copa de 1986



Para ler sobre a Alemanha, de Loes, clique aqui

Para ler sobre Curaçao, de Fetu, clique aqui

Para ler sobre o Equador, de Xico, clique aqui







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