domingo, 31 de maio de 2026

Copa 2026 • Grupo F • Suécia

Listen to Your Stars



Antes de ser lembrada pela IKEA, pela Volvo ou por sua velha fama de país discreto, a Suécia também ensinou o mundo a cantar refrões pop. Nos anos 80 e 90, o Roxette fez isso com uma facilidade quase insolente. Marie Fredriksson e Per Gessle transformaram melodias suecas em canções globais, daquelas que tocavam no rádio de qualquer país sem que ninguém precisasse saber exatamente de onde vinham. Era música de dupla, com uma voz marcante, refrões-chicletes e a sensação de que bastavam os acordes começarem para se escutar o coração.


A seleção sueca de 2026 tenta fazer algo parecido no futebol. Não chega como favorita, muito menos com o peso das grandes potências, mas tem na frente uma dupla capaz de mudar o tom de uma partida. Houve um tempo em que a camisa amarela atravessava Mundiais com naturalidade, carregando uma tradição que passou por Liedholm, Gren, Nordahl, Brolin, Dahlin, Larsson e Ibrahimović. Hoje, a melodia passa por Viktor Gyökeres e Alexander Isak.

 



 









Depois da era Ibrahimović, a Suécia passou um tempo procurando uma nova forma de ser interessante. Continuou difícil de enfrentar, mas parecia faltar algo que transformasse competitividade em ameaça real. Agora, com Gyökeres e Isak, a Suécia volta a ter um ataque que obriga o adversário a prestar atenção antes mesmo de a bola rolar. Gyökeres joga com fome de área e tem arrancadas que dão outro ritmo ao time, incomodando zagueiros com uma presença que não depende de firula. Isak é diferente: mais leve e mais técnico na maneira de aparecer. Não precisa atropelar a jogada para dominar a cena, já que muitas vezes encontra espaços que ninguém viu. Um empurra a defesa para trás, o outro aproveita o intervalo que se abre. Um abre caminho, o outro encontra a nota certa.

 



 












No Grupo F, contra Holanda, Japão e Tunísia, isso pode fazer diferença. A Holanda deve ser o teste mais duro, com mais bola e mais qualidade técnica. O Japão tende a oferecer velocidade e organização. A Tunísia, mesmo mais limitada, costuma fazer da resistência uma forma de sobreviver. Nesse cenário, a Suécia talvez não precise dominar todos os jogos, precisa apenas criar as condições para que sua dupla de ataque funcione.

A questão é saber se o time conseguirá colocar os dois para tocar a mesma música. Ter bons atacantes não basta quando a bola não chega e o meio-campo não sustenta o jogo. A Suécia não pode virar uma seleção de dois sucessos isolados, precisa soar como banda. Ainda assim, há algo perigoso nesse time. Talvez não seja uma potência renascida, mas pode ser uma daquelas seleções que entram sem tanto barulho e acabam incomodando mais do que se esperava.




 










O Roxette levou a Suécia ao mundo em forma de canção. Gyökeres e Isak tentarão fazer o mesmo em forma de gol. A Suécia de 2026 talvez não seja uma grande sinfonia, mas tem dois bons motivos para aumentar o volume da TV.

















ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)











HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)




Marcelo Martensen

Publicitário, editor do De Letra na Copa e fã de Roxette



Para ler sobre a Holanda, de Josu, clique aqui

Para ler sobre o Japão, de Henrique, clique aqui

Para ler sobre a Tunísia, de Milan, clique aqui

 



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