sábado, 30 de maio de 2026

Copa 2026 • Grupo F • Tunísia

Uma Velha Esperança



Há muito, muito, muito tempo atrás, em uma galáxia bem mais próxima do que parece, a Tunísia serviu de cenário para um dos planetas mais famosos da cultura pop. Foi no sul do país que George Lucas encontrou as paisagens que deram vida a Tatooine, planeta natal de Luke Skywalker na saga Star Wars. O nome, inclusive, veio de Tataouine, cidade real tunisiana que ajudou a batizar aquele deserto fictício perdido entre dois sóis.

Mas, em 2026, a Tunísia não quer apenas ser lembrada como cenário de aventura espacial: quer escrever sua própria saga em campo. Nesta Copa do Mundo, veremos o sétimo voo das Águias de Cartago — quase uma Millennium Falcon africana cruzando o deserto. O imponente apelido da seleção tunisiana representa o país onde ficava a antiga Cartago, histórica rival de Roma.

 



 










Sua primeira aparição em Mundiais veio em 1978, na Argentina, num grupo com Polônia, Alemanha Ocidental e México. As derrotas para poloneses e alemães impediram a classificação, mas não apagaram o feito. Contra o México, a Tunísia venceu por 3 a 1 e cravou seu nome na história: foi a primeira seleção africana a triunfar em uma Copa do Mundo.

Depois daquele voo pioneiro de 1978, as Águias de Cartago levaram vinte anos para voltar ao céu das Copas. O retorno veio em 1998, na França, com uma geração promissora e um detalhe curioso: Clayton, brasileiro do Maranhão naturalizado tunisiano, era um dos destaques do time. A expectativa existia, mas a realidade foi dura. Duas derrotas, um empate e mais uma eliminação na primeira fase.

Entre 2002 e 2006, a Tunísia voltou ao Mundial, mas repetiu o velho roteiro: competitiva, organizada, porém presa à fase de grupos. Depois de um hiato, retornou em 2018, na Rússia, onde venceu o Panamá e conquistou apenas sua segunda vitória na história das Copas, caindo novamente após derrotas para Inglaterra e Bélgica. No Catar, em 2022, as Águias de Cartago chegaram a bater a França, então campeã mundial, num resultado histórico. Ainda assim, o voo parou outra vez no mesmo lugar: o terceiro posto do grupo e a sensação de que faltava pouco para finalmente atravessar a fronteira do mata-mata.

 



 












Agora, em 2026, a Tunísia estará no Grupo F, ao lado de Suécia, Japão e Holanda. No papel, é um grupo ingrato demais para sonhar. As Águias de Cartago chegam com o objetivo simbólico de voar mais alto, mas a realidade aponta para uma missão duríssima: competir com dignidade, endurecer os jogos e, quem sabe, arrancar pontos que já seriam históricos. A classificação parece distante; o desafio, desta vez, é fazer a Tunísia sair da Copa maior do que entrou.

 



 











Do deserto que inspirou Tatooine aos gramados da América, a Tunísia parte para mais uma missão. Não chega como uma Aliança Rebelde pronta para derrubar o Império, mas enfrentará potências da bola já na primeira fase — e, desta vez, talvez nem um Jedi pudesse ajudar.

As Águias de Cartago carregam algo mais terreno: a velha esperança de transformar um simples momento em glória.

Que a Força esteja com a Tunísia.

 
















ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)









HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)




Marcelo Martensen

Publicitário, editor do De Letra na Copa e fã de Star Wars




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