Uma Velha Esperança
Há muito, muito, muito tempo atrás, em uma galáxia
bem mais próxima do que parece, a Tunísia serviu de cenário para um dos
planetas mais famosos da cultura pop. Foi no sul do país que George Lucas
encontrou as paisagens que deram vida a Tatooine, planeta natal de Luke Skywalker na saga Star Wars. O nome, inclusive, veio de
Tataouine, cidade real tunisiana que ajudou a batizar aquele deserto fictício
perdido entre dois sóis.
Mas, em 2026, a Tunísia não quer apenas ser
lembrada como cenário de aventura espacial: quer escrever sua própria saga em
campo. Nesta Copa do Mundo, veremos o sétimo voo das Águias de Cartago — quase
uma Millennium Falcon africana cruzando o deserto. O imponente apelido da
seleção tunisiana representa o país onde ficava a antiga Cartago, histórica
rival de Roma.
Sua primeira aparição em Mundiais veio em 1978, na
Argentina, num grupo com Polônia, Alemanha Ocidental e México. As derrotas para
poloneses e alemães impediram a classificação, mas não apagaram o feito. Contra
o México, a Tunísia venceu por 3 a 1 e cravou seu nome na história: foi a
primeira seleção africana a triunfar em uma Copa do Mundo.
Depois daquele voo pioneiro de 1978, as Águias de
Cartago levaram vinte anos para voltar ao céu das Copas. O retorno veio em
1998, na França, com uma geração promissora e um detalhe curioso: Clayton,
brasileiro do Maranhão naturalizado tunisiano, era um dos destaques do time. A
expectativa existia, mas a realidade foi dura. Duas derrotas, um empate e mais
uma eliminação na primeira fase.
Entre 2002 e 2006, a Tunísia voltou ao Mundial, mas
repetiu o velho roteiro: competitiva, organizada, porém presa à fase de grupos.
Depois de um hiato, retornou em 2018, na Rússia, onde venceu o Panamá e
conquistou apenas sua segunda vitória na história das Copas, caindo novamente
após derrotas para Inglaterra e Bélgica. No Catar, em 2022, as Águias de
Cartago chegaram a bater a França, então campeã mundial, num resultado
histórico. Ainda assim, o voo parou outra vez no mesmo lugar: o terceiro posto
do grupo e a sensação de que faltava pouco para finalmente atravessar a
fronteira do mata-mata.
Agora, em 2026, a Tunísia estará no Grupo F, ao
lado de Suécia, Japão e Holanda. No papel, é um grupo ingrato demais para
sonhar. As Águias de Cartago chegam com o objetivo simbólico de voar mais alto,
mas a realidade aponta para uma missão duríssima: competir com dignidade,
endurecer os jogos e, quem sabe, arrancar pontos que já seriam históricos. A
classificação parece distante; o desafio, desta vez, é fazer a Tunísia sair da
Copa maior do que entrou.
Do deserto que inspirou Tatooine aos gramados da América,
a Tunísia parte para mais uma missão. Não chega como uma Aliança Rebelde pronta
para derrubar o Império, mas enfrentará potências da bola já na primeira fase —
e, desta vez, talvez nem um Jedi pudesse ajudar.
As Águias de Cartago carregam algo mais terreno: a velha esperança de transformar um simples momento em glória.
Que a Força esteja com a Tunísia.
HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)
Marcelo
Martensen
Publicitário,
editor do De Letra na Copa e fã de Star Wars
Para ler sobre a Holanda, de Josu, clique aqui
Para ler sobre o Japão, de Henrique, clique aqui





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