Quase três anos se passaram, e ali estava Neymar,
pela primeira vez, relacionado para um jogo da Seleção. Convocado sob
suspeitas, passou os dois primeiros jogos se recuperando. Havia a expectativa
de que entrasse contra o Haiti, mas a lesão na panturrilha direita ainda
teimava em lembrá-lo de seus limites — as lesões voltaram a assombrar o craque
em maio, durante uma partida pelo Santos. Na entrada do gramado, Ronaldinho
Gaúcho deu a Neymar um abraço mais demorado, com algumas palavras de incentivo.
Neymar caminhou até o banco com a expressão de quem voltava a um lugar que já
não era exatamente seu.
É que a Seleção que ele reencontrou não era mais um
reino parado no tempo, à espera da volta do antigo protagonista. Enquanto
Neymar atravessava a própria ausência, Vini Júnior finalmente atravessava a
fronteira que faltava: deixava de ser apenas o “Vini do Real Madrid” para virar
um goleador em Copas. Com quatro gols, ele não apenas briga pela artilharia,
mas também tenta reescrever sua relação com a Seleção.
Brasil e Escócia se enfrentaram em Miami com um
retrospecto amplamente favorável aos brasileiros. Depois do empate sem gols em
1974, vieram três vitórias em Copas: 4 a 1, em 1982, 1 a 0, em 1990, e 2 a 1,
em 1998. A quarta vitória começou a ser escrita logo aos 6 min, quando a
pressão de Rayan, substituto de Raphinha, funcionou, McKenna errou o passe e a
interceptação virou assistência. Com a calma de um artilheiro, Vini limpou o
goleiro Gunn e fez o primeiro.
A defesa escocesa seguia sonolenta e, aos 21 min,
Vini roubou a bola de Hendry e fez o segundo, mas o VAR achou uma falta que,
sinceramente, ninguém viu. O Brasil continuou soberano, sem ser ameaçado, e,
aos 44, outra boa trama de Vini e Rayan pela direita quase terminou em gol de
Matheus Cunha — Hendry salvou em cima da linha. Nos acréscimos, Vini brilhou de
novo: após jogada de Rayan, Cunha se atirou para cortar a saída escocesa, Bruno
Guimarães ficou com a sobra e colocou a bola, com precisão, na cabeça do camisa
7. Rayan ainda teve a chance do terceiro no último lance do primeiro tempo, mas
limpou o zagueiro e parou no goleiro. Enquanto o Brasil sobrava, o Marrocos
empatava.
A Escócia precisou se atirar no segundo tempo, e
isso abriu ainda mais espaço para o Brasil aumentar a vantagem. Aos 5 min,
Paquetá enfiou para Vini, mas o chute saiu fraco. Aos 15, a Seleção construiu
por dentro: Casemiro achou Bruno Guimarães pelo meio, que invadiu a área e
entregou para Matheus Cunha fazer o terceiro: 3 a 0, com o Brasil surfando nos
espaços da zaga escocesa. Ainda assim, a Escócia não se entregou. Aos 18,
Alisson precisou se esticar para evitar o gol de cabeça de McTominay — bela
defesa. Aos 30, depois de mais uma investida escocesa, Neymar entrou.
O camisa 10 procurou o jogo por dentro e ainda
arriscou um bom chute ao gol, mas a noite já tinha escolhido seu protagonista
antes mesmo de ele sair do banco. O retorno importava pelo símbolo e por tudo o
que Neymar ainda representa, mas o Brasil que venceu a Escócia não girou em
torno da saudade. E talvez seja essa a melhor notícia para a Seleção: Neymar
voltou, mas o herdeiro do hexa já estava em campo. E ele responde pelo nome de Vinícius Júnior.
Marcelo Martensen (MILAN)
Publicitário
e criador do De Letra na Copa,
começando
a acreditar na Seleção Brasileira





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