Nascido Josimar José Évora Dias, em homenagem ao
lateral da Seleção Brasileira de 1986, Vozinha ganhou o apelido ainda na
infância. Criado pelos avós na ilha de São Vicente, costumava reclamar das
faltas e das pancadas que levava dos colegas mais velhos nas partidas de rua.
Os amigos diziam que ele corria para contar tudo aos avós, e foi daí que nasceu
a alcunha que o acompanha até hoje.
Era uma tarde de estreias em lados opostos da mesma
história. Cabo Verde fazia seu primeiro jogo de Copa do Mundo, carregando nos
ombros a emoção de um país inteiro. Aos 40 anos, o goleiro e capitão
cabo-verdiano, fã de Ivete Sangalo e Rogério Ceni, respondeu com segurança
quando foi exigido. Com a ajuda de uma defesa que jogou como se cada corte
valesse uma vida, Vozinha atravessou os momentos de maior pressão espanhola com
uma calma quase familiar. Uma estreia em Copa do Mundo dificilmente poderia ter
sido melhor.
Do outro lado, Lamine Yamal fazia sua primeira
partida no maior palco do futebol, cercado pela expectativa de quem chegou ao
torneio tratado como a grande esperança da Espanha. Recuperado de uma lesão na
coxa, começou no banco e entrou aos 25min do 2° tempo, quando a
seleção espanhola já parecia presa em uma daquelas tardes em que nada dá certo. A Espanha rodou, insistiu pela direita e procurou o garoto, esperando que a promessa resolvesse o que o coletivo não conseguia. Mas
Yamal terminou sem finalizar, e o jogo, que deveria marcar sua estreia em
Copas, acabou pertencendo a um personagem bem menos óbvio.
Vozinha.
Marcelo
Martensen (MILAN)
Publicitário,
criador do De Letra na Copa




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