quinta-feira, 4 de junho de 2026

Copa 2026 • Grupo I • Iraque

A Taça Prometida



Há 40 anos, os Leões da Mesopotâmia pisavam em solo mexicano pela primeira vez. Agora, quatro décadas depois, o Iraque volta ao mesmo palco carregando uma coincidência quase bíblica: 40 anos após sua única participação em Copas do Mundo, um povo marcado por guerras, crises e reconstruções acredita que talvez finalmente tenha reencontrado o caminho para sua Terra Prometida.

A Mesopotâmia, terra das antigas civilizações e cenário de diversas histórias bíblicas, faz parte da identidade histórica do atual Iraque. Talvez, por isso, o apelido da seleção combine tanto com sua trajetória: os “Leões da Mesopotâmia” carregam no nome uma herança que vem de muito antes do futebol.

Em 1986, enquanto o mundo assistia à Copa do Mundo no México, o Iraque vivia os anos intensos da Guerra Irã-Iraque. Em meio à tensão, ao medo e às notícias de conflito, o futebol acabou virando um raro momento de respiro para o povo iraquiano. Pela primeira vez, o país conseguia se enxergar no maior palco do esporte mundial. A campanha não foi suficiente para levar a seleção à segunda fase, mas aquela geração entrou para a história. Afinal, o Iraque não voltaria mais a uma Copa do Mundo pelas próximas quatro décadas.

 



 










Mas o tempo passou, e uma nova geração começou a reacender essa esperança. O principal rosto desse novo Iraque é Aymen Hussein. Artilheiro, decisivo e dono de uma presença gigante dentro da área, ele virou símbolo da seleção ao marcar gols importantes contra equipes como Japão e Bolívia, ajudando os Leões da Mesopotâmia a acreditarem novamente em uma Copa do Mundo.

O destino ainda reservou um detalhe curioso: o retorno acontece justamente no México, mesmo país da última participação em 1986. Só que agora o desafio parece ainda maior. No Grupo D, o Iraque terá pela frente seleções pesadas como a França de Mbappé, o Senegal de Mané, e a Noruega de Haaland.

 



 









No papel, muitos colocam os iraquianos como azarões. Mas depois de sobreviver a décadas de guerra, talvez o futebol seja justamente um dos lugares onde o Iraque mais aprendeu a desafiar o impossível. E quem sabe, 40 anos depois, os Leões da Mesopotâmia finalmente encontrem sua Terra Prometida… ou melhor: a taça mais sonhada do planeta.



Wagner Vieira (Wagnão)

Empresário, gremista e pesquisador geopolítico




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