terça-feira, 2 de junho de 2026

Copa 2026 • Grupo H • Espanha

El Puño de Puyol



A Espanha campeã do mundo em 2010 tinha uma identidade clara: controlava o ritmo do jogo e sufocava o adversário através da posse de bola. A base daquele time vinha do Barcelona de Guardiola, com Xavi, Iniesta, Busquets, Puyol, Piqué e Pedro. Não era uma seleção construída na força física, mas na inteligência coletiva. Xavi era o cérebro que organizava cada ataque, Iniesta transformava espaços pequenos em oportunidades e Busquets fazia o trabalho invisível que mantinha toda a engrenagem funcionando. E havia ainda a liderança quase selvagem de Puyol, um jogador que parecia disputar cada lance como se fosse o último da carreira.

 



 













Em 2026, a Espanha volta a ter uma forte influência do Barcelona. Lamine Yamal é o talento capaz de decidir partidas em um lance. Pedri assume parte da responsabilidade criativa que antes passava por Xavi e Iniesta, e Rodri, vencedor da Bola de Ouro, em 2024, tornou-se a referência da posição que um dia pertenceu a Busquets. E há também Dani Olmo, que, além da técnica e mobilidade, mostrou sua capacidade de decidir jogos grandes — como no golaço marcado contra o Brasil. A questão é inevitável: repetir a fórmula de 2010 ainda funciona?

Em parte, sim. O futebol continua premiando equipes que sabem controlar a bola e impor seu ritmo, mas o jogo, hoje em dia, é mais rápido, mais físico e muito mais vertical do que era há dezesseis anos. Talvez a maior dúvida nem seja sobre Xavi, Iniesta ou Busquets; talvez seja sobre Puyol. É possível encontrar novos talentos e até um novo Bola de Ouro, mas será que existe alguém nesta geração capaz de repetir a liderança, a coragem e a entrega que Puyol transmitia aos companheiros?

 



 










A Espanha de 2026 não precisa copiar a de 2010 para ser campeã. Mesmo sem convocar ninguém do Real Madrid, a Fúria chega forte e, na minha opinião, entra entre as quatro principais candidatas ao torneio. Se conseguir unir o talento de Yamal, Pedri, Olmo e Rodri com uma dose da alma competitiva que Puyol levava ao campo, talvez esteja mais perto do título do que muitos imaginam.

 
















ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)









HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)


 

 

Francisco Felsberg (XICO)

professor de remo em Caraíva e tricampeão de Bolão da Copa



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