quinta-feira, 11 de junho de 2026

Copa 2026 • Grupo C • Brasil

Hexageros



Mais uma Copa do Mundo para a mais icônica, a mais mítica, a mais simbólica das seleções. A única que sempre esteve presente — é bom lembrar —, a que mais títulos ganhou — é sempre bom lembrar! — e aquela que, historicamente, mais encantou o planeta no esporte mais popular do mundo.

Há tempos a Seleção Brasileira está desacreditada. Lá se vão 24 anos sem levantar o caneco, com atuações constrangedoras nas últimas Copas, mas não nos enganemos: o Brasil sempre chega aos Mundiais como favorito e temido. Desta vez não será diferente. Após fracassos e tentativas inférteis com técnicos da casa — e é bom frisar a absoluta obsolescência dos treinadores locais nos últimos 20 anos —, a Amarelinha conta com um técnico de mentalidade vencedora e campeão de quase tudo: o italiano Carlo Ancelotti — só falta uma Copa do Mundo no currículo. E esta pode ser uma boa oportunidade, por que não?

 



 













A novela Neymar terminou — terminou? — com sua convocação, reacendendo amores e ódios em torno do craque do Peixe. Entre críticas justas e implicâncias antigas, a questão técnica muitas vezes se perde. Ainda assim, bem preparado e num mês inspirado, Neymar segue sendo o brasileiro capaz de oferecer o cardápio mais elaborado de recursos diante dos diferentes cenários de uma partida. Alguns jornalistas esportivos disseram estar decepcionados com Ancelotti por “ter cedido às pressões” ao convocar Neymar. Só o tempo dirá. A dúvida, como sempre, está na condição física: sua lesão não estará totalmente curada antes da estreia contra o Marrocos.

Curiosamente, a bola do “ter cedido às pressões” não foi levantada pelos formadores de opinião ao tentarem entender a convocação dos rubro-negros Danilo, Alex Sandro, Paquetá e Léo Pereira, alguns deles sem condições técnicas para estarem relacionados a uma Copa do Mundo. Ouve-se dizer que são homens de confiança da comissão técnica; outros justificam as escolhas pela baixa concorrência na posição. No entanto, não se especulou, em nenhum momento, se o fato de atuarem no clube de maior proteção midiática e institucional do país poderia ter pesado nesse processo.

Destes, apenas Lucas Paquetá apresenta condições claras de ser selecionável. Os demais, principalmente Léo Pereira, demonstram estar aquém de um desafio do porte deste Mundial. O corte do lateral Wesley às vésperas do torneio, sem a convocação de outro jogador da posição em seu lugar, também levanta dúvidas. A vaga será ocupada por Danilo, reserva em seu clube? Ou serão testados atletas inicialmente chamados para outras funções, como Fabinho ou Ibañez?

E, nisso, o calcanhar de Aquiles de Ancelotti aparece do meio para trás. Marquinhos e Gabriel Magalhães, finalistas da última Liga dos Campeões, formam a dupla de zaga inquestionável, mas não há substitutos no mesmo nível. Ainda assim, Marquinhos é um zagueiro lento, como ficou demonstrado em seus últimos jogos antes da estreia: falhou no gol do Arsenal e cometeu um erro bisonho no amistoso contra o Egito.



 













A safra de goleiros tampouco inspira confiança. A lembrança de última hora do gremista Weverton, após falhas recentes de Bento e Hugo Souza, comprova a insegurança no setor. Ainda assim, é difícil entender novas oportunidades em Copas para um Alisson contestável e um Ederson em queda. Seria possível encontrar nomes melhores na Série A, mas não há mais tempo para especulações. O pouco número de convocados para o meio-campo também pode ser motivo de apreensão.














O leitor poderá se perguntar se não há contradição em tratar como favorita uma seleção possivelmente frágil no sistema defensivo. A resposta está na qualidade absurda do meio para a frente, com um poder ofensivo capaz de aquietar qualquer adversário. Também não se deve ignorar o planejamento de longo prazo, simbolizado pela renovação de Ancelotti até 2030 e pelas convocações de Endrick e Rayan, nomes que já miram a próxima Copa, embora possam ajudar nesta.

Não pode ser menosprezado, por fim, que, embora a construção de um ciclo bem trabalhado seja importante, Copa do Mundo é essencialmente estar bem durante o torneio. Foi assim em 2002, ano do penta, quando uma Seleção Brasileira de campanha frágil nas Eliminatórias sagrou-se campeã do mundo com sobras. Foi assim também com a Argentina na última edição, que começou sua trajetória com derrota diante da Arábia Saudita e terminou levantando a taça.

 



 









Por isso, um time com tantos recursos ofensivos, comandado por um técnico tarimbado e protegido por uma camisa que pesa na hora H — H de hexa —, não pode ser desconsiderado como favorito ao título.

 
















ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)









HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)


 


Adriano Gomes (CARICA)

Acredita no hexa



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