Is It Coming Home?
Nos últimos anos, porém, a Inglaterra pareceu mais
próxima do que nunca de encerrar esse jejum. Sob o comando de Gareth Southgate,
a equipe alcançou a semifinal da Copa do Mundo de 2018, disputada na Rússia,
além de chegar às finais das Eurocopas de 2020 e 2024. Apesar da evolução
evidente, os resultados finais deixaram um gosto amargo. A geração considerada
uma das mais talentosas da história recente continuou sem levantar troféus
importantes. Muitos especialistas apontaram que faltavam ao time uma mentalidade
mais vencedora e uma abordagem tática mais agressiva nos momentos decisivos.
Diante desse cenário, a FA decidiu apostar em uma mudança significativa ao
contratar o alemão Thomas Tuchel para comandar a equipe rumo à Copa do Mundo de
2026. Campeão da Liga dos Campeões com o Chelsea e reconhecido por sua
capacidade de organizar equipes competitivas, Tuchel chegou com a missão de dar
mais personalidade, confiança e ambição a uma seleção que há anos bate na
trave.
Desde os primeiros meses no cargo, Tuchel deixou
claro que não pretendia se deixar influenciar por nomes ou reputações. A
convocação para a Copa de 2026 trouxe algumas das maiores surpresas do futebol
inglês nos últimos tempos. Jogadores como Trent Alexander-Arnold, Harry
Maguire, Cole Palmer e Phil Foden ficaram fora da lista final, causando enorme
repercussão entre torcedores e analistas. A ausência de Alexander-Arnold chamou
a atenção pela sua capacidade criativa e qualidade nos passes. Maguire, apesar
das críticas que recebeu nos últimos anos, foi peça importante nas melhores
campanhas recentes da seleção. Já Palmer e Foden são considerados dois dos
jogadores mais talentosos da nova geração inglesa. Tuchel justificou as
escolhas afirmando que priorizou atletas que se encaixam perfeitamente em seu
modelo de jogo e que o equilíbrio coletivo seria mais importante do que o
talento individual.
Apesar das polêmicas, as perspectivas para a
Inglaterra no Mundial são positivas. A seleção caiu em um grupo que,
teoricamente, é favorável. Os ingleses terão pela frente Croácia, Gana e Panamá
na fase inicial da competição. A Croácia continua sendo uma equipe respeitável
e experiente, mesmo vivendo uma fase de renovação após o ciclo liderado por
Luka Modrić. Gana possui uma seleção física, veloz e capaz de surpreender
adversários mais fortes. Já o Panamá aparece como o time menos cotado do grupo,
embora a história das Copas tenha mostrado inúmeras vezes que não existem
adversários fáceis nesse tipo de torneio. A expectativa é que a Inglaterra
termine a primeira fase na liderança da chave e avance sem maiores dificuldades
para o mata-mata. No entanto, o verdadeiro teste começará a partir da fase de
16 avos de final, quando a margem para erros desaparece e a pressão aumenta
exponencialmente.
Grande parte das esperanças inglesas estará
concentrada em três jogadores que simbolizam diferentes gerações e
características dentro do elenco: Jude Bellingham, Bukayo Saka e Harry Kane.
Bellingham é, atualmente, o principal nome da nova geração do futebol inglês.
Mesmo jovem, atua com maturidade impressionante e já se consolidou como um dos
melhores meio-campistas do mundo. Sua capacidade de controlar o ritmo do jogo,
chegar à área adversária e assumir responsabilidades em momentos decisivos faz
dele o cérebro da equipe. Saka, por sua vez, tornou-se uma das armas mais
perigosas do ataque inglês. Com velocidade, habilidade e inteligência tática, o
jogador do Arsenal é capaz de desequilibrar partidas em jogadas individuais ou
através de sua movimentação constante. Apesar das constantes contusões nos
últimos anos e de não estar no auge de sua ainda breve carreira. Já Harry Kane
continua sendo a principal referência ofensiva da seleção. Artilheiro histórico
da Inglaterra, o atacante combina experiência, liderança e uma impressionante
capacidade de decidir jogos importantes. Kane se coloca hoje como um dos três
maiores jogadores do mundo. Se os três estiverem em sua melhor forma durante o
torneio, a Inglaterra terá argumentos suficientes para enfrentar qualquer
adversário.
Fazer previsões em uma Copa do Mundo nunca é tarefa
simples, mas a Inglaterra chega aos Estados Unidos, ao Canadá e ao México com
motivos reais para sonhar. O elenco possui profundidade, qualidade técnica e
experiência internacional. Além disso, a chegada de Thomas Tuchel trouxe uma
nova energia ao grupo e a sensação de que a seleção está disposta a abandonar
antigos complexos que a impediram de alcançar o topo. Ainda assim, equipes como
Espanha, França e Argentina continuam aparecendo como referências quando o
assunto é favoritismo. Por isso, a Inglaterra talvez não entre na competição
como a principal candidata ao título, mas certamente estará entre os
postulantes mais fortes.
As previsões mais realistas apontam para uma
campanha que pode chegar, no mínimo, às quartas de final. Se conseguir superar
a pressão que tradicionalmente acompanha a camisa inglesa e transformar talento
em eficiência nos momentos decisivos, a seleção tem todas as condições para
disputar a final e, quem sabe, encerrar uma espera que já dura 60 anos.
Para uma geração tão talentosa quanto essa, a Copa
do Mundo de 2026 pode representar não apenas mais uma oportunidade, mas talvez
a melhor chance de finalmente trazer o troféu de volta para a casa.
ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)
HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)
João
Ferreira (Djandjas)
Imigrante
em Dublin e amante do futebol raiz, desde a Copa de 1986
Para ler
sobre a Croácia, de Mackeiks/Milan, clique
aqui
Para ler
sobre o Panamá, de Bucca, clique aqui
Para ler
sobre Gana, de Fetu, clique aqui






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