El Pajarito Celeste
Valverde nasceu em 21 de julho de 1998, no bairro
de Unión, em Montevidéu, no Uruguai. Durante sua infância, viu sua mãe, Doris,
vendendo roupas em feiras de rua, enquanto seu pai, Julio, trabalhava como
segurança de um cassino para garantir o básico: alimentação, roupas, moradia e
baby fútbol, o futebol infantil local.
Começou a jogar muito cedo, aos três anos, no clube
de bairro Elbais. Foi nessa época que ganhou o apelido de "El
Pajarito" (O Passarinho). O nome foi dado por um de seus primeiros
treinadores, que dizia que o garoto voava em campo, magrinho e leve, como se
cruzasse o gramado sem esforço. Curiosamente, quando criança, ele odiava o
apelido, porque queria parecer um jogador forte e "temido", mas a
marca ornitológica acabou pegando.
Aos nove anos, Valverde chamou a atenção dos
olheiros do Peñarol, um dos gigantes do futebol uruguaio. Apesar do talento
técnico absurdo, Federico atravessou uma fase de certa preguiça, que o impediu
de atingir todo o seu potencial. Gostava de jogar com a bola no pé, mas não
tinha o mesmo entusiasmo para marcar, correr sem ela ou recompor na defesa. Foi
a insistência de seus treinadores da base, somada aos conselhos duros de seus
pais, que mudou sua mentalidade e ajudou a transformá-lo no jogador dinâmico e
incansável, de “área a área”, que ele é hoje.
Além disso, há uma história famosa, contada por sua
mãe, segundo a qual Frederico, aos quatro anos, acordou certo dia dizendo que
havia tido um sonho muito real. No sonho, entrava em um estádio gigante, lotado
de pessoas vestidas de branco que gritavam seu nome. Ele vestia uma camisa
branca e havia estrelas ao seu redor. Anos mais tarde, o Real Madrid o
contratou quando ele tinha apenas 16 anos, embora só tenha integrado o clube ao
completar 18, e a família relembrou o episódio como uma premonição da infância.
Hoje, o passarinho incansável é um dos maiores
ícones de dedicação e talento do multicampeão time madrilenho, além de expoente
da Celeste Olímpica no Mundial de 2026. Isso porque o pequeno país finalmente
deixou de contar com os extraordinários atacantes Suárez e Cavani, dois dos
maiores jogadores uruguaios do século, transferindo a Valverde a
responsabilidade de conduzir a transição de gerações da seleção, sem perder a
aura de grande esquadra sul-americana da história.
A Celeste Olímpica tem se renovado devagar, a ponto
de pilares como Muslera, Giménez, Bentancur e Arrascaeta, trintões de Copas
passadas, ainda serem importantes peças do elenco. Além deles, a equipe conta
com bons nomes, como o zagueiro barcelonista Araújo e o lépido avante Darwin
Núñez, o que não elimina a sensação predominante de certa limitação técnica e
um prognóstico de ambições modestas na Copa. Com esse cenário, os torcedores
devem se concentrar em buscar alguns bons lampejos do sempre aguerrido Uruguai,
liderados pelo supracitado autoprofeta da bola.
Considerando-se que, só nos Estados Unidos, cerca de 70 milhões de pessoas praticam ou têm interesse em birdwatching, o sucesso do polivalente lateral, meia e ponta direita passarínico Valverde parece provável, apesar de uma andorinha só não fazer verão.
ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)
HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)
Rafael
Bauer (POPERA)
Professor
Universitário e Doutorando da Área de Turismo. Mestre em Filosofia e Finais da
Libertadores pelo São Paulo. Viajante inveterado, com 2 Copas presenciais
(Brasil e Rússia)
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