O Eco dos Leões
Marrocos se garantiu no Mundial com uma campanha
impecável nas eliminatórias: 8 jogos, 8 vitórias, 22 gols marcados e apenas 2
sofridos. Foi a primeira seleção africana a se classificar, confirmando a vaga
com antecedência, após a goleada por 5 a 0 sobre o Níger.
O grande nome é, sem dúvida, Achraf Hakimi,
lateral-direito do bicampeão europeu PSG, jogador que reúne grande velocidade e
poder ofensivo. Ao seu lado, Marrocos exibe uma constelação respeitável: o
talento refinado de Brahim Díaz, atacante do Real Madrid, a elasticidade de
Yassine Bono, goleiro do Al-Hilal, e a versatilidade tática de Noussair
Mazraoui, do Manchester United.
A geração mescla remanescentes da campanha de 2022
com novos talentos, renovando o elenco sem apagar a identidade que levou
Marrocos ao respeito mundial. Seus pontos fortes continuam claros: uma defesa
sólida e bem organizada, transições rápidas pelos lados, especialmente com
Hakimi, intensidade física e uma disciplina tática que exige paciência do
adversário. A maior fraqueza está na dependência excessiva de poucos jogadores
de criação, justamente aqueles capazes de destravar as partidas mais truncadas.
Mas nem só de encanto vive essa geração. Na final
da Copa Africana das Nações de 2025 contra Senegal, Marrocos acabou no centro
de uma grande polêmica: um gol senegalês aparentemente legal foi anulado, o VAR
marcou um pênalti discutível para os marroquinos e, em protesto, os jogadores
de Senegal chegaram a abandonar o campo. Depois da confusão, Brahim Díaz
desperdiçou a cobrança de maneira bizarra, o jogo foi à prorrogação e Senegal venceu por 1 a 0.
Dois meses depois, porém, a Confederação Africana de Futebol anulou o resultado
e declarou Marrocos vencedor por W.O., em um episódio que ficou marcado como um
dos maiores escândalos recentes do futebol africano.
Marrocos disputará sua sétima Copa do Mundo. O
melhor resultado continua sendo o inesquecível quarto lugar de 2022, a melhor
campanha da história de uma seleção africana em Mundiais. Em 1986, já havia
chegado às oitavas de final, enquanto as participações de 1970, 1994, 1998 e
2018 foram capítulos de uma evolução gradual; até que no Qatar o mundo parou
para assistir aos Leões do Atlas derrubarem seleções como Espanha e Portugal.
A meta em 2026 é clara: chegar, no mínimo, às
quartas de final. Com o formato expandido, Marrocos tem potencial para dar
trabalho ao Brasil e lutar pela liderança do grupo, que ainda inclui o azarão
Escócia e o fraco Haiti. Vale lembrar que, em 2025, no amistoso contra o
Brasil, Marrocos já deu o recado: venceu por 2 a 1, de virada.
Os Leões do Atlas não chegam para passear. Chegam
com a memória de 2022 ainda viva, com garra, organização e estrelas no auge. Os
marroquinos sabem que podem escrever mais um capítulo memorável na história do
futebol africano.
A África torce, o Brasil observa e o mundo já aprendeu a prestar atenção.
ESQUEMA TÁTICO (clique para ampliar)
HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)
Renato
Dias (RENAS)
Diretor
na Brasil Paralelo, são-paulino e membro do Conselho Baran






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