quarta-feira, 10 de junho de 2026

2026 • Grupo C • Marrocos

O Eco dos Leões



A seleção de Marrocos chega à Copa do Mundo como uma das equipes africanas mais respeitadas do planeta. Após o histórico quarto lugar no Qatar, os Leões do Atlas consolidaram-se como uma potência continental e prometem incomodar os gigantes novamente. Adversário do Brasil na estreia do torneio, o time comandado por Mohamed Ouahbi combina organização tática, intensidade física e alguns destaques individuais.

 



 










Marrocos se garantiu no Mundial com uma campanha impecável nas eliminatórias: 8 jogos, 8 vitórias, 22 gols marcados e apenas 2 sofridos. Foi a primeira seleção africana a se classificar, confirmando a vaga com antecedência, após a goleada por 5 a 0 sobre o Níger.

O grande nome é, sem dúvida, Achraf Hakimi, lateral-direito do bicampeão europeu PSG, jogador que reúne grande velocidade e poder ofensivo. Ao seu lado, Marrocos exibe uma constelação respeitável: o talento refinado de Brahim Díaz, atacante do Real Madrid, a elasticidade de Yassine Bono, goleiro do Al-Hilal, e a versatilidade tática de Noussair Mazraoui, do Manchester United.

A geração mescla remanescentes da campanha de 2022 com novos talentos, renovando o elenco sem apagar a identidade que levou Marrocos ao respeito mundial. Seus pontos fortes continuam claros: uma defesa sólida e bem organizada, transições rápidas pelos lados, especialmente com Hakimi, intensidade física e uma disciplina tática que exige paciência do adversário. A maior fraqueza está na dependência excessiva de poucos jogadores de criação, justamente aqueles capazes de destravar as partidas mais truncadas.

Mas nem só de encanto vive essa geração. Na final da Copa Africana das Nações de 2025 contra Senegal, Marrocos acabou no centro de uma grande polêmica: um gol senegalês aparentemente legal foi anulado, o VAR marcou um pênalti discutível para os marroquinos e, em protesto, os jogadores de Senegal chegaram a abandonar o campo. Depois da confusão, Brahim Díaz desperdiçou a cobrança de maneira bizarra, o jogo foi à prorrogação e Senegal venceu por 1 a 0. Dois meses depois, porém, a Confederação Africana de Futebol anulou o resultado e declarou Marrocos vencedor por W.O., em um episódio que ficou marcado como um dos maiores escândalos recentes do futebol africano.

 



 

Marrocos disputará sua sétima Copa do Mundo. O melhor resultado continua sendo o inesquecível quarto lugar de 2022, a melhor campanha da história de uma seleção africana em Mundiais. Em 1986, já havia chegado às oitavas de final, enquanto as participações de 1970, 1994, 1998 e 2018 foram capítulos de uma evolução gradual; até que no Qatar o mundo parou para assistir aos Leões do Atlas derrubarem seleções como Espanha e Portugal.

A meta em 2026 é clara: chegar, no mínimo, às quartas de final. Com o formato expandido, Marrocos tem potencial para dar trabalho ao Brasil e lutar pela liderança do grupo, que ainda inclui o azarão Escócia e o fraco Haiti. Vale lembrar que, em 2025, no amistoso contra o Brasil, Marrocos já deu o recado: venceu por 2 a 1, de virada.

 



 










Os Leões do Atlas não chegam para passear. Chegam com a memória de 2022 ainda viva, com garra, organização e estrelas no auge. Os marroquinos sabem que podem escrever mais um capítulo memorável na história do futebol africano.

A África torce, o Brasil observa e o mundo já aprendeu a prestar atenção.

 



 













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HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)



 

Renato Dias (RENAS)

Diretor na Brasil Paralelo, são-paulino e membro do Conselho Baran

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