O Rugido Temido
O legado de estabilidade deixado pelo histórico
Aliou Cissé foi entregue às mãos de Pape Thiaw, que soube não quebrar o que já
funcionava. Senegal é, hoje, uma equipe de força física imponente e de
transição aguda, reflexo direto de um elenco 100% "legionário", no
qual cada convocado atua e compete nos maiores níveis de exigência da Europa. O
ídolo Sadio Mané continua sendo a alma e a referência técnica no ataque, mas o
time não depende mais exclusivamente dos seus clarões de genialidade. Ao seu
redor, a energia de Iliman Ndiaye, com seu dinamismo no Everton, e a capacidade
de finalização de Nicolas Jackson, que vem amadurecendo sob pressão constante
no Chelsea, dão ao Senegal um ataque rápido e letal em espaços abertos.
Mas se o elenco está no auge de sua maturidade, o
sorteio da Copa do Mundo foi impiedoso. Senegal viu o destino lhe entregar uma
verdadeira parede ao cair no temido Grupo I, um autêntico "grupo da
morte". O reencontro com a França, favorita crônica a qualquer título e
uma das seleções mais completas do planeta, resgata a mística de 2002, mas
agora com os franceses no topo da cadeia alimentar. Como se não bastasse
trombar com Mbappé e companhia, Senegal terá que medir forças com uma Noruega
encardida e técnica, liderada pelo instinto assassino de Erling Haaland e pela
maestria de Martin Ødegaard. Para completar a chave, a resistência física do
Iraque.
Neste cenário, a perspectiva não permite ilusões: a
Copa do Mundo do Senegal já começa com contornos dramáticos no próprio
grupo. A meta não é apenas jogar bonito, e sim sobreviver a um dos cruzamentos
mais cruéis e exigentes da primeira fase. Se a força de contenção de Pape Thiaw
conseguir segurar o ímpeto dos gigantes europeus e explorar a velocidade letal
do seu ataque, uma classificação será um feito histórico. Se saírem vivos
deste verdadeiro furacão na primeira fase, terão a casca grossa necessária para
se transformarem no pior pesadelo de qualquer seleção no mata-mata.
ESQUEMA TÁTICO (clique para
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HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)
Luiz
Paulo Aranha (LOES)
sócio e
gestor da MOAT Capital e são-paulino
Para ler sobre a França, de Brolho, clique aqui





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