28 anos depois, o jogo começou pelo avesso da mesma
história. Se em 1998 o Brasil precisou de 8 minutos para transformar a pressão
em gol, ontem foi a Seleção que passou o início tentando entender o jogo.
Marrocos não entrou em campo como a vítima de outrora; pelo contrário, disputou
cada bola como se cada dividida fosse uma oração e botou o Brasil na roda. O
meio-campo se perdeu na marcação, Casemiro ficou pendurado com o amarelo, a
bola queimou nos pés de Paquetá e o Brasil parecia perdido em campo.
A primeira chance veio só aos 13min, quando Igor Thiago errou a cabeçada, e a Seleção até começou a se soltar. Mas, aos 20min, Mazraoui acelerou o contra-ataque, Brahim Díaz lançou Saibari entre os dois zagueiros brasileiros e o camisa 11, aproveitando a saída atabalhoada de Alisson, tocou por cobertura. Detalhe: três anos antes, outro quase homônimo, Abdelhamid Sabiri, havia marcado o gol da vitória marroquina sobre o Brasil em um amistoso. Era o prenúncio.
Como dito, a Seleção melhorou. Aos 31min, Vini
Júnior mostrou aos marroquinos aquilo que o Brasil ainda tem de melhor: o
talento. O camisa 7 recebeu de Bruno Guimarães, puxou para dentro em sua jogada
mais típica e bateu forte, sem chance para Bounou. O gol acalmou o Brasil, que
passou a respirar melhor no jogo e ainda viu Paquetá, depois de um início em
que a bola queimou no pé, crescer antes do intervalo. No fim do primeiro tempo,
ele quase virou a partida em um voleio defendido por Bounou.
Na etapa final, com as entradas de Luiz Henrique e
Matheus Cunha, a Seleção equiparou de vez o confronto e tomou conta do campo.
Na melhor chance do 2° tempo, aos 77min, Cunha lançou Vini, que tocou para
Raphinha bater no centro do gol. Mas a Copa não permite distrações, nem quando
o jogo parece controlado: nos acréscimos, El Aynaoui arriscou de fora da área,
a bola parecia ir para fora, Alisson foi nela mesmo assim e ainda precisou
salvar o rebote para evitar que o fim do jogo virasse uma tragédia.
No fim, o empate saiu de bom tamanho para o que se
viu. Ancelotti certamente esperava uma estreia melhor, mas a teimosia também
faz parte do seu pacote. Enquanto Endrick não tiver uma chance real nesta Copa,
o futebol do Brasil continuará sendo qualquer coisa.
Marcelo
Martensen (MILAN)
Publicitário,
criador do De Letra na Copa




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