E lá estavam eles, espanhóis e uruguaios, frente a
frente, lutando pela própria sobrevivência. Sobretudo a Celeste, olímpica de
outrora, que chegava sem vitórias e precisava de uma para se salvar. Do outro
lado, uma Fúria ainda tímida pouco incomodava o antigo predador, até que uma
falha quase no fim da primeira etapa fez as redes do Akron balançarem como um
peixe se debatendo para escapar. Nem Muslera, goleiro de cinco Copas,
sobreviveu ao erro e voltou para o segundo tempo. Muito menos o Uruguai, que terminou
a partida entregue à mesma apatia de uma Espanha já satisfeita, como se os dois
tivessem deixado de ser donos do mar de gramas.
Em outra parte do oceano, o Tubarão Azul nem
precisou abocanhar seu adversário. Vinda de terras arenosas, a Arábia Saudita
acabou se afogando sozinha na lanterna do grupo. Dona de um campeonato rico em
nomes e investimentos, a seleção saudita não superou a própria falta de talento
doméstico e caiu sem deixar saudade. Cabo Verde, por outro lado, mostrou força,
segurou adversários de peso e segue invicto, com um feito raro nas barbatanas:
até o momento, é a única seleção da história das Copas a entrar em campo em
um Mundial e nunca perder um jogo sequer.
Os Tubarões Azuis encaram agora um dos maiores
predadores da Copa: a Argentina de Messi. Se será possível sobreviver,
saberemos em breve. Mas, por enquanto, Cabo Verde segue reinando no ecossistema da
Copa do Mundo de 2026.
Marcelo
Martensen (MILAN)
Publicitário
e criador do De Letra na Copa;
anteviu a
classificação de Cabo Verde em segundo no Grupo H





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