terça-feira, 9 de junho de 2026

2026 • Grupo L • Panamá

A Maré Vermelha do Canal



A seleção do Panamá carrega duas alcunhas que ajudam a contar sua própria história. A primeira é La Marea Roja, a maré vermelha, por causa do uniforme principal, marcado pelo vermelho da bandeira do país. A segunda é Los Canaleros, referência direta ao Canal do Panamá, uma das grandes obras da engenharia humana, responsável por ligar os oceanos Atlântico e Pacífico e por sustentar parte importante da economia desse pequeno país da América Central.

 



 











No futebol, o Panamá ainda é tratado como uma seleção em ascensão. Quando o assunto é torcida, porém, já pode ser colocado entre os grandes personagens do jogo. Os panamenhos celebram cada conquista da seleção como se estivessem vivendo algo maior do que o placar. É uma torcida que transforma arquibancada em festa e faz do Panamá uma daquelas seleções capazes de ganhar simpatia mesmo antes de ganhar o jogo.

A estreia em Copas demorou: aconteceu apenas na Rússia, em 2018. O Panamá caiu no Grupo G, ao lado de Bélgica, Inglaterra e Tunísia, seleções muito mais acostumadas ao peso de um Mundial. O novato acabou derrotado por 3 a 0 pela Bélgica, sofreu um duro 6 a 1 contra a Inglaterra e fechou sua participação com uma derrota por 2 a 1 diante da Tunísia.

Três jogos, três derrotas e a eliminação na primeira fase. Fracasso? Vergonha? Não para a torcida panamenha. Para eles, estar ali já era a realização de um sonho nacional. Mesmo goleado pelos ingleses, o Panamá comemorou de forma efusiva seu primeiro gol em Copas do Mundo, como se aquele instante bastasse para justificar toda a viagem — gol do zagueiro Felipe Baloy.

 



 










Agora, em 2026, o Panamá volta ao maior palco do futebol. Uma nova Marea Roja entrará em campo, carregando perguntas que só a bola poderá responder. Virá a primeira vitória em Copas? Será possível sonhar com uma classificação inédita? O torneio dirá até onde essa seleção consegue avançar.

Uma certeza, no entanto, já existe antes mesmo da estreia: o Panamá terá o apoio incondicional de sua torcida. Enquanto Los Canaleros estiverem em campo, haverá festa nas arquibancadas, porque para a Marea Roja a Copa nunca foi apenas sobre vencer. Também é sobre cantar alto e fazer o mundo lembrar que, no futebol, alguns países entram pelo placar, enquanto outros entram pela emoção.






















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HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)






Felipe Sanches (BUCCA)

Historiador e arqueólogo, mora em Toledo (PR).
Primeiro jogador de rugby da família.



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