O Uivo Azzurro
O Uzbequistão chega à Copa como um daqueles
personagens que o público jura não conhecer, mas que já vinha se preparando
havia anos fora do centro do mapa. Vive na Ásia Central, entre paisagens de
estepe e cidades de nome antigo, em uma região marcada pela velha Rota da Seda
e pela memória de caminhos que sempre ligaram mundos distantes.
Cannavaro entra nessa história como o italiano que
não conseguiu levar a Itália à Copa, mas encontrou uma Copa na qual a Itália
não estará. A frase parece uma piada cruel, mas também explica a força
simbólica do encontro. O Uzbequistão não contratou apenas um técnico
estrangeiro; contratou uma memória viva do Mundial, alguém que conhece o peso
de um torneio curto e sabe que não há espaço para ingenuidade.
Dentro de campo, o nome que melhor conversa com
Cannavaro é Abdukodir Khusanov, zagueiro do Manchester City e símbolo de uma
geração uzbeque que já não parece deslocada entre os grandes. Ele lembra o
técnico menos pela aparência do que pela maneira de defender: antecipa o lance
como quem já sabe onde o perigo vai nascer.
O desafio é evidente: estreante em Copa joga contra
o adversário e contra a própria vertigem. É aí que Cannavaro pode ser útil, não
como milagreiro, mas como alguém que já sentiu o peso de um Mundial e sabe que
a primeira obrigação de uma seleção pequena é entrar em campo sem pedir
licença.
Se a Itália ficou fora, Cannavaro encontrou outro
modo de voltar ao Mundial. Ele não levará a nostalgia de 2006 como relíquia,
mas a experiência de quem já entendeu a Copa por dentro. Agora estará entre os
Lobos Brancos, numa seleção que aprende a caçar em território novo e carrega
para a Copa uma certeza antiga: quem atravessa a estepe em silêncio não pede
passagem; escolhe o caminho.
ESQUEMA TÁTICO (clique para
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HISTÓRICO EM COPAS (clique para ampliar)
Marcelo
Martensen (MILAN)
Publicitário,
editor do De Letra na Copa
e cartógrafo de seleções que ninguém sabe onde ficam
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