Uma famosa série de
TV apresenta um mundo apocalíptico dominado por seres que se alimentam de carne
humana. Pode parecer só ficção, mas a realidade não está tão longe disso.
Relatos de canibalismo, ainda que raros, geram grande repercussão pela crueldade
com que são cometidos. No mais recente deles, um homem foi morto pela polícia
por se negar a parar de comer quase todo o rosto de sua vítima. Pensar que o
futebol está a salvo desse tipo de barbárie pode até parecer absurdo, mas a Copa
do Mundo está aí para provar que o sabor — e o dissabor — de uma mordida tem
suas razões e consequências.
A tensão da partida
disputada em Natal é um bom indício: uma batalha entre duas seleções acostumadas
a dramalhões épicos, onde só um continuaria vivo. A Itália, que só precisava do
empate, entrou para se defender, desperdiçando o talento de Pirlo. Balotelli,
sumido, nem voltou do intervalo. A Azzurra jogava literalmente com o
regulamento debaixo do braço. Para piorar, Marchisio foi expulso no início do
segundo tempo, após entrar de sola em Arévalo Rios.
Para o Uruguai, só
a vitória interessava. Foram inúmeras chances com Suárez, Cavani e Cristian Rodríguez,
até que aos 30, o camisa 9 teve a maior de todas elas, frustrada pelo braço
providencial do milagroso Buffon. Destemperado, Suárez, aos 35, foi em direção a
Chiellini, mordeu o ombro do zagueiro e levou uma cotovelada. O lance passou
batido pela arbitragem, mas não pela FIFA. O gol veio logo depois, aos 36, com
Godín cabeceando de costas no escanteio. A Itália foi embora, com Pirlo e
Buffon deixando saudades. Dois dias depois, Suárez também foi. Por ser reincidente, pegou nove partidas e quatro meses de suspensão. Uma decisão, no mínimo, exagerada.
Não há dúvidas da genialidade de Luis Suárez, artilheiro da última Premier League e deus máximo da Celeste Olímpica. Ele, que por pouco não perdeu o Mundial, e talvez tivesse sido melhor assim, do que ficar tanto tempo longe de qualquer atividade ligada ao futebol. Do joelho à mordida, um fim de Copa indigesto para o artilheiro que tem fome não só de gols.


Sob os olhares
atentos do príncipe Harry, o English Team jogou por sua honra num Mineirão
tomado pelos costarriquenhos. Mas por mais que o time tenha tentado vazar a meta
de Keylor Navas, não foi possível evitar o empate e, consequentemente, a pior
campanha da Inglaterra na história das Copas. Resta aos bretões apostar nos
jovens valores desta geração, como Sturridge, Welbeck e Sterling, para a Copa
de 2018.
No fim, a Costa
Rica, grande surpresa da competição, se mostrou satisfeita com o placar. Para
quem chegou eliminada num grupo com três campeões do mundo, sobreviver de forma
invicta já é um título.
CLASSIFICAÇÃO FINAL
DE LETRA NA ARENA
Rodrigo Santana na Arena das Dunas






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